sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

AS LIÇÕES JAPONESAS NAS INTERPÉRIES CLIMÁTICAS.

Arquipélago Japonês

            No dia 3 de março de 2011, foi lançada no Brasil a campanha: “Fraternidade e a vida no planeta”. A igreja Católica tem como meta abordar temas importantes de grande impacto para serem discutidos durante a Quaresma. O que os idealizadores não imaginavam era a prova que a Natureza submeteria à humanidade. Logo no dia 11, um terremoto mais intenso comparado aos tantos que assolam o Japão pôs em xeque toda a experiência e estudo preventivo por ele desenvolvido. Tremores de terra são comuns naquela região, porém, mesmo alertados pelo risco foram vítimas de um maremoto com proporções gigantescas. Dentro de uma hora, o que era improvável virou realidade. No apogeu da tragédia, um dos países mais avançados do mundo presenciou uma visão surreal, apocalíptica, onde num terreno - antes seco - barcos, carros e casas disputavam espaço, à deriva! O sentimento fraterno rapidamente foi solicitado, e o mundo não decepcionou. De todas as partes a ajuda foi franqueada, visando a aliviar o sofrimento daquele povo discreto, confiante e disposto a se levantar de quedas - como a do ataque atômico, em 1945.

Há milênios que o planeta vem se deteriorando, seja na acomodação das placas tectônica, nas erosões e dos tantos choques com meteoros ocorridos num passado distante. O que retardou o seu envelhecimento foi o desenvolvimento de um eco sistema estruturado numa moderna cadeia alimentar. Ela inicia com os minúsculos seres e termina com os maiores animais tanto do mar como da terra. Na luta pela sobrevivência eles semeiam, reciclam, depuram, controlam a si próprios, tendo ao topo da sequência, os homens. Mas o ceticismo e a necessidade de provar que a humanidade é o ponto de referência, o centro do universo, fez com que se acreditasse que tudo lhe gira em torno e que cabe a ela o destino da vida na terra. A prova vem da destruição desenfreada do ecossistema, da exploração das jazidas naturais e a poluição destruindo a camada de ozônio, aumentando excessivamente a temperatura e promovendo alteração do clima. Independente disso, o processo natural de alteração do solo continua e, somado aos desmandos humanos– principalmente das grandes economias-, traça um prognóstico sombrio para um futuro próximo.

Diante do desastre natural ocorrido, a humanidade tem muitas lições para pôr em prática. “O homem é parte integrante do sistema ecológico e não o seu tutor”. Toda ciência disponível no mundo é incapaz de garantir a estabilidade. O tsunami japonês era algo anunciado e, mesmo assim, superou a segurança dos praianos. Não se devem invadir os limites dos rios e do mar, eles seguem seus cursos naturais e não têm nenhum compromisso com a vida terrestre. A aglomeração e as melhorias feitas para lhes proporcionar conforto danificam a biodiversidade causando reações inesperadas. A energia nuclear é um risco de proporções incontroláveis. As áreas que são conhecidamente abaladas por terremotos precisam ser exploradas com mais cuidados. Conter a invasão dos alagados e encostas para a instalação de moradia. Estudos deverão ser desenvolvidos para acomodar os moradores, em casos de emergências, da orla marítima, de áreas baixas como a Ilha de Manhattan, e os Países Baixos. Terremotos, tufões e tornados já atingiram países como o Brasil, e os homens, mesmo dotados de grandes avanços científicos, estão como sempre estiveram: “são estrangeiros à mercê da imprevisibilidade do clima”. Por fim, a mais importante lição japonesa: a capacidade de se reabilitar, como uma Fênix, retomando em curto prazo seu lugar destacado no mundo.

Imagem;googleusercontent.com/img/b/y-aponskij-arhipelag-sostoit-iz-6852-ostrovov-a-skolko-iz-nih-naseleny.jpg - acess. em 23/0126


sábado, 10 de janeiro de 2026

SUBURBANOS.

           A Revolução Francesa expôs ao mundo a força agressiva de um movimento social: os Sans Culottes. Era uma classe intermediária que reforçou os primeiros embates de um acontecimento que se espalhou pelo mundo. Relembrando aqueles feitos, notei que em minha rua, no meu bairro, na minha cidade também há um movimento permanente, uma classe intermediária que trava um duelo incessante contra o sistema. Na época eu escrevi Suburbanos, uma inspiração brasileira daqueles contestadores.

Nos últimos dias, novamente a França sente a força de um choque nas ruas da classe agrícola em busca de seus ideais; neste contexto, reeditei a antiga postagem e os convido a rever essa aventura.

         É madrugada, o sol ainda não despontou; uma multidão toma as ruas. Vão os atrasados, os boias-frias, os peões de obras, os estudantes. É uma luta contra o relógio, contra a falta de recursos; o sapato quase rasgando, roupa fora de moda...é o melhor que eles têm. No fundo, sabem que vai chegar o dia em que tudo dará certo; vai ser como um tiro certeiro...na mosca! Será como tirar a sorte grande, um gol aos quarenta e seis minutos...na gaveta!                                                                

      A maioria segue seu caminho, a eterna rotina que se estende por longos anos. Como são muitos, agrupam-se e juntos sobrevivem às devassas; agremiados, criam sua própria gíria e seu dialeto é forjado em palavrões, gestos obscenos. Baseiam-se na força e subjugam o lado sensível, temerosos de serem difamados ou menosprezados. Externam as suas emoções em trajes provocantes, usam tatuagens, estampas exóticas em manifesto ou em protesto contra uma causa que nem eles próprios sabem definir. Conhecem o submundo, os vícios, as  drogas; sabem da dor e da solidão. Escravos do sistema, envolvem É madrugada, o sol ainda não despontou; uma multidão toma as ruas. Vão os atrasados, os boias-frias, os peões de obras, os estudantes. É uma luta contra o relógio, contra a falta de recursos; o sapato quase rasgando, roupa fora de moda...é o melhor que eles têm. No fundo, sabem que vai chegar o dia em que tudo dará certo; vai ser como um tiro certeiro...na mosca! Será como tirar a sorte grande, um gol aos quarenta e seis minutos...na gaveta!

     A maioria segue seu caminho, a eterna rotina que se estende por longos anos. Como são muitos, agrupam-se e juntos sobrevivem às devassas; agremiados, criam sua própria gíria e seu dialeto é forjado em palavrões, gestos obscenos. Baseiam-se na força e subjugam o lado sensível, temerosos de serem difamados ou menosprezados. Externam as suas emoções em trajes provocantes, usam tatuagens, estampas exóticas em manifesto ou em protesto contra uma causa que nem eles próprios sabem definir. Conhecem o submundo, os vícios, as drogas; sabem da dor e da solidão. Escravos do sistema, envolvem-se com qualquer propaganda. Falam alto, são exagerados, admiram Stallone, Van Damme, fixando-se nos mitos que fazem tudo aquilo que são incapazes de fazer! Mesmo sendo obra fictícia, deixa-os extasiados porque os “caras são demais, arrebentam”! Criativos, fazem a própria moda, um esforço desesperado para aparecer na esperança de não ser mais um na multidão. “Curtem” o que é soft, “transam” tudo o que é “diet”, gostam de samba, do pagode e de tudo o que é divertido, lascivo e provocante. Divertem-se com os deboches, gostam do “rala coxas’. Destemidos, são guerrilheiros que doam seu sangue por tão pouco. Constituem a maioria nas festas, nas filas, nos hospitais. É a massa que alimenta o comércio, as indústrias; é a mão forte que mexe o concreto, que trabalha a terra e a faz produzir. São os alicerces da sociedade, aptos para o trabalho pesado, onde a tecnologia se faz improdutiva. Crescem desordenados, com dentes cariados, sorriso tímido, envolvido de malícia, porque os homens só se fazem sinceros, quando se veem acuados; se a vida não lhes confiou fortunas, os “macetes” para a sobrevivência eles os têm desde a infância.

     O horóscopo do dia afirma que haverá surpresas; que alguns passam pelo inferno zodiacal. Outros estão na fase dos grandes amores, e há aqueles que se sentem no paraíso astral. Jornais e revistas reservam espaço em suas publicações, trazendo presságios para todos, despertando a situação ambígua que influencia as pessoas, as ideologias, os grandes “lances”, o mundo empírico de cada um, que os leva a uma busca constante de sua real personalidade. Que Paraíso seria esse se há tantas coisas grotescas acontecendo?...Também não é Inferno, pois têm momentos inesquecíveis e, por serem humildes, desconhecem suas forças e o que poderiam fazer por seus mundos.

     Nesse paradoxo, passam pela vida, repetindo “chavões” e “bordões” inexpressivos. Possuem, no entanto, uma certeza: logo chegará o dia em que não será necessário conquistar as coisas no “grito”; será como tirar a “sorte grande”, uma grande “tacada”, uma flecha certeira...na mosca!...ou como uma bola metida no ângulo aos quarenta e tantos minutos... Indefensável!...então, é só esperar. 

Imagem -Título: Transporte_ na_ pandemia_36_IraRomão-1024X683.jpg.                                                                      Ira Romão/Agência Mural. Acessada em 10.01.2026.                                                                                   


Postado no Jornal A Notícia (Salesópolis) 07/1997.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

AMOR E PRAZER.

 

Os seres humanos são providos de imensa curiosidade em explorar o contexto do universo em que vivem; se há sinal de rotina, iniciativas visam a suprir a necessidade individual de aventura. 

Nos tempos do Romantismo, na sua busca constante de inovação, voltou-se à Natureza experimentando as mais extravagantes comparações, mistificando o sentimento amoroso com o objetivo de compensar ou de “aquecer” as relações afetivas que os trâmites normais dos costumes não permitiam. 
foto: divulgação.
 
As fases pós-guerras acentuaram o prazer pela liberdade e, novamente, ela se voltou contra as normas existentes. 

Paralelo a essa procura, foram lançados adereços que valorizavam a sensualidade. Com o surgimento da classe “teen” (anos 5O) e o lançamento do anticoncepcional feminino, motivados por filmes de propostas juvenis e os embalos do rock and roll, parte dos segredos são abolidos e o passado tende a ser esquecido. 

Anos 6O e 7O: os “hippies” retomam o ambiente romântico com outra visão. Tempo das “tribos”, da paz e do amor, dos grandes concertos, acampamentos coletivos. Os jovens iam superando os tabus, proliferavam os motéis, e o amor era visto sem máscaras. Os meios populares de comunicação se encarregavam de abordar a realidade oculta pela moral que se rendia, indefesa, perante os fatos. 

Anos 8O e 9O: as conquistas pessoais atingiram o seu a apogeu. Caiu a censura e os seguimentos socioculturais, em vez de se oporem, adaptaram-se à nova realidade. O que era vulgar virou popular, o que seria liberdade chegou à promiscuidade: os corpos mal suportavam tanta inovação. E as alegorias? Estavam em moda e o inconsciente coletivo, alienado pelas fantasias, a falta de informação e experiência, consumia. Manipulados pelos estímulos externos que os acompanham desde a infância, muitos se apaixonaram, se casaram, mas quando descobriram que amor não era sexo e que sexo não era amor viram seus sonhos transformados em fraldas e incertezas. 

Não havia entendimento, os momentos de prazer eram insatisfatórios. Então, descobriram que a cama não era palco, que a fronha não era cortina e o que nelas viveram foi uma farsa e, até hoje, se encontram num drama irreal.

Amor e sexo são forças poderosas que se completam, porém não se fundem. Têm existência própria e não podem ser mascarados: ou sente-os ou não os sente. Juntos se fortalecem, todavia, podem ser praticados individualmente, ou seja: pratica se o sexo sem amor, ou vive-se o amor sem o sexo. 

Amor é um sentimento abstrato, mas assume mil facetas: pode ser compreensão, companheirismo, cumplicidade; assume caráter paterno, materno e fraterno, infinito. É sensível às artes, às causas sociais e humanitárias: é conquistável, compartilhado. O sexo, por sua vez, visa ao prazer físico e, através dele, à procriação. Está presente quando o ser é estimulado físico e mentalmente. 

Toda fantasia que antecede uma relação faz parte de um jogo que visa à sedução. Ele não exige comprometimento. Uma relação, se baseada só no amor, torna-se insegura e monótona; se calcada só no sexo, faz-se enciumada e premunitiva. 

Oposto ao amor, a libido é algo particular como uma senha, um código genético secreto que se manifesta com maior ou menor intensidade entre as pessoas. O amor, em seu ponto mais alto, mesmo sendo um sentimento abstrato, torna-se palpável através das pessoas, coisas e tudo aquilo que os inspire. 

O sexo, em seu ápice, provoca o clímax que não é o fim, mas o ponto alto da relação. E os adereços? Estimulam o desejo, porém, não garantem a conquista e nem o êxito; sendo frustrados, torna se um sentimento platônico, “inconquistável”. Uma relação duradoura é aquela que, no decorrer dos dias, faz-se uma sólida amizade, acompanhada de um forte apego físico e incendiada pelas fantasias e liberdades. 

Amor e sexo, de uma forma ou de outra, todos praticam, cada qual à sua maneira e escolha; eles ganham, eles perdem, mas reconhecem que o melhor da vida ganha ênfase no momento em que se começa a jogar esse jogo, cujas regras a ciência e os tempos modernos estão prestes a entender.

Original -Jornal A Noticia - 21/06/08.

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

DIMENSÕES HUMANAS.

 Um homem se mede:

Na sociedade, pelo respeito;

na política, pela influência;

nos negócios, pelas conquistas;

na família, pela postura;

 e, no caixão, pela altura!

............................................................original de 26/03/2013. atualizado.

DIMENSIONES HUMANAS.

A un hombre se le mide:

en la sociedad, por el respeto;

en la política, por su influencia;

en los negocios, por sus logros;

en la familia, por su comportamiento;

y, en el ataúd, ¡por su estatura!

...........................................................

HUMAN DIMENSIONS.

A man is measured:

In society, by respect;

in politics, by influence;

in business, by achievements;

in the family, by his demeanor;

 and, in the coffin, by his height!

 

............................................................... Traduzidos pelo google tradutor. Em 21/11/25.



terça-feira, 4 de novembro de 2025

ROTINA (ROUTINE- RUTINA)

 ROTINA      (Original de 01 de junho de 2006.)

Ele se eleva por trás dos montes,

Entre névoas, com vigor, aflora;

O sol, atro rei, poderoso, supremo...

Vem e brinda-nos com a boreal aurora.

 

É a luz que da vida aos bosques, as flores;

Faz -se a pino, sua luz fulgura.

Enaltecendo os vales, as cores...

E vai morrer triste na noite escura.

 

Anos e anos na eterna rotina,

É a vida que se renova em labor.

Nervosa, sutil, ampla, tão intensa...

 

Tudo nasce, cresce, vive e finda.

Até mesmo o sol terá que se pôr,

Para que a alvorada aconteça.

................................................................... 

ROUTINE                     Translated into English on November 4, 2025.)

It rises behind the mountains,

Amidst mists, with vigor, it emerges;

The sun, dark king, powerful, supreme...

Comes and bestows upon us the boreal dawn.


It is the light that gives life to the woods, the flowers;

Its light shines brightly at its zenith.

Exalting the valleys, the colors...

And it will die sadly in the dark night.

 

Years and years in the eternal routine,

It is life that renews itself in labor.

Nervous, subtle, vast, so intense...

 

Everything is born, grows, lives and ends.

Even the sun will have to set,

So that the dawn may come.

 ....................................................                                      With google translate..                 

RUTINA               (Traducido al español el 4 de noviembre de 2025)

Surge tras las montañas,

Entre brumas, con vigor, emerge;

El sol, rey oscuro, poderoso, supremo...

Llega y nos regala el alba boreal.

 

Es la luz que da vida a los bosques, a las flores;

Su luz brilla con fuerza en su cenit.

Exaltando los valles, los colores...

Y morirá tristemente en la noche oscura.

 

Años y años en la eterna rutina,

Es la vida la que se renueva en el trabajo.

Nerviosa, sutil, vasta, tan intensa...

 

Todo nace, crece, vive y muere.

Incluso el sol tendrá que ponerse,

Para que pueda llegar el alba.

........................................................................... With google translate..   

sábado, 16 de agosto de 2025

The Hidden Face "Of the Face". (A Face Oculta "Do Face")

 

                   In 2007, a new entertainment-focused platform was launched in the Brazilian market: Facebook. Like any digital innovation, it offered advantages over its competitors and naturally gained ground. Over time, other applications joined it, and social privacy became a public issue. The competition between modern means of communication—phone, photos, videos, etc.—has reached a disturbing point. It's not a link between a specific age group: young people, adults, and the lively elderly are also adapting and indulging in digital pleasures. It's undeniable that it's an important medium for today. With it, one can integrate with planet, without leaving home. The flexibility with which it allows the sending of images, audio, and videos makes Facebook, like other electronic channels, windows that allow us to explore the world. Through them, it's possible to know what lies beyond the mountains and the seas; all continents interact, and there's no longer any reason to feel isolated. Just create an account, and all the mysteries and secrets of humanity can be at your fingertips, with a click.

But it's not all positive. For full use, there are rules that users accept, and these allow the managing company to access and analyze content in transit. This occurred due to the misuse of these platforms, where fake news is spread with the same intensity as real news. Consider the rigor with which the administrators recently imposed themselves, hiding "news" sent by global authorities. After realizing that "fakes" were harmful in election campaigns and continued to undermine the conduct of good people, the providers admit that, if necessary, they apply a critical eye to the post to prevent this harm from spreading. guiding, but respecting the universal right of expression in democratic countries.

                      All users must be mindful of the content they post. Responsibility for their posts lies with each user; therefore, once published, the users they indicated will have full access to their private details revealed in the files, texts, and subtexts; not to mention hackers who scour posts for topics and data that interest them. If the option is public, everyone who accesses the platform will have access to their documents, photos, and the like, and these reveal the entire psychological context of the author. The articles, in general, aim to entertain, reminisce, express opinions, or feed the ego. The tool is the bridge between the people and their contacts; for the masses, a high number of likes is truly good.

                      The importance of social media in life, among other things, is evident when someone seeks membership in a social organization or in a job interview. One of the items asked is whether the candidate uses social media; why? Through social media, analysts identify the forces that drive the user, such as sadness, anxiety, political aptitude, leadership, or boredom. What words fail to express, their continuous posts clearly demonstrate to researchers. Their actions and reactions confidentially and truthfully reveal the virtues and flaws that education, formalities, and discretion attempt to disguise. Therefore, the window that reveals their universe is the same one that exposes their unmasked profile to the world—with its charms, its flaws, and its fears.

                  When posting something intimate, think about this!

 

 

 

 

sexta-feira, 18 de julho de 2025

A Sinfônica -The Symphony/


 Não importa a diferencialibidade dos mais estranhos e exótico instrumentos, na orquestra tudo se encaixa.

      O silêncio se impõe de forma inquietante. Instintivamente ela se eleva e traça no ar movimentos compassados e de forma ininterrupta. Ela, a batuta, com sua aparência franzina é enérgica! No seu vai e vem, convoca a cada instrumento ordenando sua entrada ou saída de cena. Assim, todos os metais, por ordem são chamados e, mesmo com seu tom estridente, não se impõem sobre o coro virginal oriundo das cordas. Igualmente, o baixo tuba e os tambores se respeitam. Juntos, criam uns sons harmoniosos, envolventes. Não importa a diferencialibidade dos mais estranhos e exóticos instrumentos, na orquestra tudo se encaixa. Se juntos executarem grupos de pianos, corais de centenas a milhares de vozes, tudo sairá uníssono. Em seu momento, a sutil flauta faz frente às sopranos, aos tenores e, até mesmo ao poderoso gongo japonês. Em tudo há cadência, pois, embora diferenciados entre si, os graves, contraltos ou aveludados, seguem pela mesma trilha da partitura que, com suas poucas linhas, permite breves escapadas, mas nunca o seu total desprendimento. Agindo dessa forma, têm suas sonoridades respeitadas, portanto; se grandes ou pequenos, seguem pela mesma estrada. Ordeiramente vagam pela breve, semibreve até as semifusas em compassos certeiros sob a regência da implacável e dinâmica batuta. As “fusas” exigem dos instrumentistas muita agilidade; são como crianças saudáveis que recreiam pelas ruas. As “colcheias” se assemelham aos adultos que ponteiam a harmonia; as “breves”, lembram o lado metódico da população. Todo o conjunto forma um evento singular que embala os sonhadores. As peças se alteram: clássicas, dramáticas, as sonatas.
   
 A perfeição do sincronismo musical se dá em virtude da rígida marcação e da interpretação das notas e escalas pelos músicos. Por trás de cada peça, há um ser humano dando vida aos símbolos musicais. É o cérebro o conversor dos sinais em sons e, através deles, os gráficos determinam os movimentos dos dedos nas cordas ou nos teclados; das mãos hábeis nas baquetas ou na batuta que os rege com todo o vigor.
Agora, convenhamos. Se por trás de cada instrumento há pessoas e, se parte delas a execução afinada da sinfonia; então, porque na vida real o mesmo não sucede? Se os músicos estudam durante a infância para que, quando adulto, possam ocupar um lugar de destaque na orquestra; mas as pessoas treinam a vida inteira para se harmonizarem! Têm sua Carta Magna e elegem seus regentes aos quais por si se submetem a todos os tipos de exploração. São talentos dignos de grandes peças, mas se fazem inúteis diante incontáveis momentos inglórios originando um imenso submundo explorado indignamente. Formam uma orquestra apática num concerto desafinado. Mas, afinal, na sinfônica humana, quem desafina?...São os “músicos” ou os “regentes”?

Publicado no Jornal A Notícia /11/02

The Symphony.


The silence imposes itself unsettlingly. Instinctively, it rises and traces uninterrupted, measured movements in the air. It, the baton, with its frail appearance, is energetic! In its back and forth, it summons each instrument, ordering its entrance or exit from the stage.

Thus, all the brass instruments are summoned in order, and even with their shrill tone, they do not impose themselves on the virginal chorus originating from the strings. Likewise, the bass tuba and the drums respect each other. Together, they create harmonious, enveloping sounds. No matter how unique the strangest and most exotic instruments are: in the orchestra, everything is It fits. If piano groups, choirs of hundreds to thousands of voices, perform together, everything will come out in unison. In its moment, the subtle flute stands up to sopranos, tenors, and even the mighty Japanese gong. There is cadence in everything, for, although differentiated from one another, basses, altos, or velvety instruments follow the same path of the score, which, with its few lines, allows for brief escapes but never complete detachment.

By acting this way, their sonorities are respected; whether large or small, they follow the same path. They orderly wander through breve, semibreve, and semiquavers in precise measures under the direction of the relentless and dynamic baton. The "quavers" demand great agility from the instrumentalists; they are like healthy children playing in the streets. The "quavers" resemble adults punctuating the harmony; the "breves" recall the methodical side of the population.

The entire ensemble forms a singular event that lulls dreamers. The pieces change: classical, dramatic, sonatas. The perfection of musical synchronicity is achieved by the musicians' strict markings and interpretation of notes and scales. Behind each piece, there is a human being bringing musical symbols to life. The brain converts signals into sounds, and through them, the graphics determine the movements of the fingers on the strings or keyboards; of the skillful hands on the drumsticks or the baton that conducts them with all its vigor.

Now, let's face it. If there are people behind every instrument, and if the finely tuned performance of the symphony is part of them, then why doesn't the same happen in real life? If musicians study during childhood so that, as adults, they can occupy a prominent place in the orchestra, similarly, people train their entire lives to harmonize!

They have their Magna Carta and elect their conductors, to whom they submit themselves to all kinds of exploitation. They are talents worthy of great pieces, but they are useless in countless inglorious moments, creating a huge underworld exploited unworthily. They form an apathetic orchestra in an out-of-tune concert.

But, after all, in the human symphony, who is out of tune?... Is it the "musicians" or the "conductors"?