quarta-feira, 18 de março de 2015

Festa dos “Zés”

Zé Flóes, 91, em plena atividade .
Publicado em março de 1997, foi uma das mais lida e comentada. Após dezoito anos,  muitos "Zés) já não estão ente nós, mas vale a homenagem.
 
Cinco da manhã, Zé Fróes solta mais um rojão e desperta a cidade. Em frente à Matriz, alguém pega o megafone e anuncia: “Vamos sair pela Rua São José, retornaremos na Praça do Peão, indo pela Avenida até o comércio do Zé Cunha. De lá, regressaremos seguindo em direção à "Moacir Wuo", até a Rua Zé Luiz que era Alferes, e aqui nos reuniremos para a bênção.”
Parte o cortejo. Na frente vai Zé Laurindo, Zé Hilário, Zé Santana e Zé Aurélio; esqueceram-se do Zé Criança, mas o Zé Menino já caminhava entre os presentes. Numa das esquinas estavam Zé Pedro, Zé Renó e parentes do Zé Portela.  Enquanto caminham, comentam que a filha do Zé Nicola é "durona" como professora e que o rádio do táxi novo do Zé Brito não funciona. Salientavam que no domingo, ultimo dia da festa, vão instalar uma bateria com vinte tiros na subida, início da estrada que leva ao bairro da Barra- “Aqui NÃO”! - protestou lá na montanha, o Zé Porangaba- “Já mudei aqui pro morro para viver mais sossegado”!... Zé Pagano faz cooper; passou por eles o caminhão carregado do Zé Bino, e Zé Trindade ia de carona. Outro rojão corta o céu; o canudo caiu no quintal do Zé Miguel e despertou o cachorro que vigiava a casa do irmão do Zé Eleutério. Dois "Zés Gordos" correm em direção à rodoviária: “O Zé Trama tá saindo!... Zé Ricardo não se levantou e o Zé do Geraldo Pedro não mora na loja”.
Chega o Sol e, com ele, a multidão. Num ônibus dirigido por Zé Porquinho, veio o Zé Vieira, Zé Bragança, Zé Galiano e o Zé Moreira. De carona com o Zé Bracaiá, várias pessoas, entre elas o Zé Soares. Zé Costa trouxe a Kombi lotada...
Dizem que o patrão do Zé Ribeiro, mais o Zé Francisco e o Zé Ferpudo tentam convencer o Zé Magal que, apesar de veterano, ainda insiste em jogar futebol. Por outro lado, a irmã do Zé Apolinário e a dona Tereza Marcos advertem seu filho, Zé Maria, que observa o Pau de Sebo. "Isso é coisa para crianças. Você não está pensando em subir lá..."
Hora da saudade. O pai do Zé Hermes, Zé Nunes, Zé Anselmo, Zé dos Santos, Zé Rosa e Zé Peão relembram Zeca da Bitica, Zé Lourenço, Zé Cândido, Zé Erculino, Zé Caetano, Zé Mineiro, O PM Zé Maria de Almeida, Zé Norato, Zé Elias, enlutados pela recente partida do Zé da Sianinha.
Zé Pedrinho, com suas histórias, enrolava Zé Dias e Zé Emboava; Zé Siqueira e Zé Maia que o conhecia não se aproximaram e se limitaram a comentar com o Zé Crispim que o secretário da paróquia, que é sobrinho do saudoso Zé do Carlito, não vai ser padre: ele vai casar... Zé Martim e Zé Carvalho acharam engraçados...
Aguardando a vez no salão do Zé Barbeiro, Zé do Gregório, Zé Periquito, Zé Pica-pau e Zé Chico ouvem o descontraído QSO entre Vagalume e Zé do Brejo sobre o antigo Ford amarelo do Zé Bilitardo; de "bigode à distância" pelas ondas do PX. Zé Leme, de carro polido, passa em frente ao Zé Freire, onde Zé Artur, Zezinho Venâncio, Zé Português e Zé do Raul ouvem os lamentos dos carreteiros Zé Branco,Zé do Cristo e Zé Pixincha. Em outra esquina, Zé Véio e Zé Passarela caminhavam em direção à Praça; notaram que alguém riscou a pintura do táxi do Zé Xilim, enquanto Zé Sorveteiro "descolava" um cigarro. Sentado na porta do escritório do Zé Capela, Zé Baixinho, primo do Zé Venâncio, notou que o ex-prefeito Zé Francisco indagava sobre o paradeiro do Zé dos Ouros, enquanto a sobrinha do Zé Américo confirma com o Zé Antonio, da rádio, se haverá o show com Zé Severino, músicas de Zé Rico e o retorno do Zé do Jorge que abandonou a sanfona após o casamento. Zé Hulk agita as garotas e, brincando com o seu filho, lá vai a Bernadete do Zé Roberto, irmã do Zé do Souza que é manequim, mas não desfila em passarela; logo em seguida, as futuras damas desfilam seus encantos: Claudete, neta do Zé Pascoal; Érica, sobrinha do Zezinho Pinto; Daniela, filha do Zé Vítor; Aline do Zé das Dores, sobrinho do falecido Zé d'Ozório e a Lourinha, neta do Zé Lopes.
O calor era intenso. No jardim, Zé Ganso e Zé Ilídio concordam que a freira, Irmã Conceição, vem da família do Zé Ivo, e que o Zé Tiago agora é crente. No carrinho do Zé Patrício, Zé Divino e Zé Patriota se entretêm com as ideias do Joãozinho, irmão do Zé Rosendo. À parte, Zé Paca e Zé Paulino comentam que o Zé Macaco dá show de salsa nas noites de terça, lá do Luso, e Zé Hidalgo com um dente "encravado", promete ir se consultar com a esposa do Zé Romão. Numa barraca, Zé Barreto, Zé do Armindo e Zé de Matos se atualizam. Zé Morais tudo observa, Zé Marciano sente calor e Zé Bastião faz sua ronda. Zé Fartura anda sozinho, Zé Boi não quer conversa; entre eles, Zé do Anísio e Zé de Campos debatem o jogo do Palmeiras. Zé Miranda e Zé Correia se despedem do Zé Geraldo e do Zé da Guia, enquanto Zé Generoso e Zé Melancia se refrescam com cerveja e lembram que o Zé Preto pretende mudar de ramo; que o Zé Linguiça anda sumido e que o lendário Zé Cambeva agora pode ir à Lua. Seu Ditinho, irmão do Zé Rodrigues, abençoa o Zé da Adelaide. O prefeito Zé Feital cumprimentou o Zé Amaro, Zé Sabino, Zé Camilo, o Zé da Cema e mandou um alô pra turma do Zé Pinto e do falecido Zé Machado, que transformava ferro em ferramenta... Alguém chama pelo Zéco vereador: "Tá no SUDS ou no Moacir", respondeu Zé Pinheiro; Zé Aristides confirmou enquanto, discretamente, Zé Melo avaliava o traje de peão do Zé do Antenor. 
Já era tarde, e a prova ciclística havia começado. Na multidão, aguardando a chegada, Zé Vicente dizia ao Zé Cardoso que a parentela do Zé Donato, hoje só faz cachaça pro gasto! Fim de prova. Venceu o irmão do Zé do Nor, seguido por Zé Cubas. Zé Messias, Zé do Roque, Zé Orlando, Zé Ponteado e Zé Fumo aplaudiram. Entardeceu! Na procissão, a fila de "zés-maria", "zés-leite" e "zés-antonios" abrangia um quarteirão. "Zé-carlos" e "zés-luizes" outro tanto e, as "marias-josés" preenchiam todo o espaço. Notados, também, os Zés, gêmeos do Bisca, e do Rosendo Aleixo, que seguiam em silêncio. Na igreja, os Ministros estavam sob o comando do filho do Zé Gomes. Entre os paroquianos, na direita, Zé Píu; ao centro, Zé Carlos Martins e a família do Zé Chaves; na esquerda, a Sulica do Zé Fidélis. A Tequinha do Zé Raimundo ajeita o microfone. No teclado, o filho do Zé Bento acerta seu instrumento com o violão do Zé dos Passos. Alguém pede passagem: era o Zé Marcos, que chegava atrasado... Zé de Almeida ouviu quando a Chiquinha e o Zé Leite fizeram a acolhida; Zé do Abílio comentou a primeira leitura; Zé Paulo entoou o Salmo; Zé Camargo anunciou a segunda mensagem e a cunhada do Zé Carrinho chamou a todos para o Evangelho. E as leituras falavam de Maria e José! Na homilia, falou-se sobre a família: dos "Zés" e "Marias" que mantêm essa instituição. Justificou-se a falta do Zezinho, aquele que as regras do jogo da vida fê-lo um prisioneiro, e da Mariazinha miserável, que em toda a sua vida só tem sido alvo de escárnio da população, e sem motivos, portanto, para trazer ao público seu semblante de desgraça...
"O ano que passou", disse o vigário, "foi o ano de eleição. Época em que estiveram, lado a lado, o Dr. José e o Zé do Barraco; a Dna Maria e a Maria sem Rumo. Todos se uniram, pois buscavam por um mesmo ideal". Prestou-se homenagem aos Zés desconhecidos: o Zé do Facão, o da Picareta, aos Zés que empunham as enxadas, os machados, enfim, que fazem da nossa cidade a sua casa e dedicam suas vidas a ela. Por fim, o padre-cura abençoou a todos, prometendo para o próximo ano uma nova comemoração, nesta, que é a Festa do Zé Carpinteiro, nosso padroeiro e pai adotivo de Jesus.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Gente de fora.



 Seguindo a republicação de texto que abordaram personagens e feitos salesopolenses, é a vez da versão “Gente de fora” lançado em outubro de 2008.
                    
  A eleição municipal de 2008 trouxe a tona um assunto que, vez por outra, ganha espaço na mídia paraitinguim.
O candidato Roberto Pereira da Silva, embora tenha a sua origem em Salesópolis, ficou conhecido politicamente em Biritiba Mirim.
Após cumprir dois mandatos naquela cidade, mudou seu domicilio eleitoral para Salesópolis e candidatou-se ao cargo de prefeito. Essa decisão causou um reboliço nas pretensões locais. Mudanças impensáveis ocorreram visando banir o “forasteiro” que crescia nas intenções de votos. À medida que as discussões cresciam, seus adversários políticos abordaram uma reação bairrista de derrotá-lo sob a alegação de “ser de fora”, feito que rima com Salesópolis.
Nesta coluna vou abordar alguns nomes e feitos; o rol das pessoas estrangeiras que modelaram sua história é imenso. Até mesmo a criação do primeiro vilarejo foi para abrigar viajantes.
A primeira influencia teria sido o contato com a picada elaborada pelo Padre Manuel Faria Dória que unia o Vale do Paraíba ao litoral.
Foi Antonio Martins de Macedo (Antonio Aranha) quem fez uma pousada no cruzamento das trilhas que redundaria, no século XIX, na freguesia de São José do Paraitinga e, consequentemente, em Salesópolis.
Em seguida, os destaques foram as famílias Freire, Miranda, Mello e Carvalho, tidos como benfeitores por adquirirem e doarem para uso público uma gleba junto a igreja.
Na fase pós-escravidão, Salesópolis, ainda como São José do Paraitinga recebeu portugueses, italianos, espanhóis, alemães e árabes. O resultado dessa acolhida trouxe escolas, banda de música, jornal, princípios democráticos como o parlamentarismo municipal implantada na prefeitura, e um forte vínculo político com a Capital Federal. Salesópolis é uma homenagem ao senador e presidente Campos Sales, filho da região cafeeira de Campinas
Padre João Menendes, (espanhol) vigário da paróquia, iniciou e terminou a igreja Matriz que inspirou a capela de Nossa Senhora Aparecida, no Arrepiado.
Padre Manoel de Azevedo Lima, (português) melhorou o templo, dotando-o de altar-mor, bancos, relógio, sino... Teve a sua participação na economia trazendo a técnica do cultivo da batata inglesa e na política sendo influente embaixador nas dificuldades dos anos trinta do século passado.
N. Félix - A. familiar.
O finlandês Victor Wuo instalou e publicou o uso da energia elétrica. 
Os italianos Francisco e Antonio Capistrano trouxeram as primeiras jardineiras e incentivaram as serestas, o esporte, o cinema;
Narciso Félix, natural da Síria, foi destaque na moda, no comércio e no esporte;
Osório Lopes da Silva, mineiro vindo após estadia em Santa Branca...
José de Paulos e família Cardoso, portugueses que, nos anos quarenta do século passado iniciaram seus investimentos na região. O primeiro trouxe de Pilar do Sul o Fórmio (Fibra); o segundo investiu na exploração de madeira criando a primeira estrada ”tarifada) do lugar.
Ainda na década de 40, os primeiros imigrantes japoneses são assentados no atual Distrito de Nossa Senhora dos Remédios.
Padre Vicente de Aguiar decorou toda a Matriz trazendo para isso o artista italiano Antônio Limones;
Léo Ardachnikoff, de origem russa, inicia as experiências com agricultura em escala comercial.
O avanço da exploração do carvão vegetal recebe grande contingente de autônomos ádvenas. Entre eles os negros José Sebastião Alexandrino e Benedita Parente;
Em 1950, Casemiro Augusto Gomes instalou a primeira fábrica de esteira de taboa, com tecnologia adquirida em Santos; faz experimentos com grampos, rolhas, plásticos gerando empregos diretos além da considerada participação na cultura, esporte e lazer.
Padre Benedito Rodrigues da Cunha incentivou a criação de grupos de teatro, instalou o sistema de som na igreja e o primeiro cinema da comunidade.
Ruy Costa, jovem farmacêutico comprou a sua primeira farmácia na cidade; hoje é honrado cidadão salesopolense.
Adhemar Bolina, Anielo Fontanelli, Araci Camargo, professores aqui radicados e reconhecidos.
Dr. Sebastião, Dr. Mitsuo Terada, Dr. Gilberto Losano (vice-prefeito eleito)...
Tony, Karfan, família Félix, presenças libanesas no comércio.
A exemplo da professora Olga Chakur , incontáveis lecionaram e lecionam em todo o município;
Paulo Sexto, Lily Caporalli, pessoas de fora que representam tão bem esse rincão.
Há tantos médicos, enfermeiras e assistentes que fazem dessa cidade o seu ganha-pão.
Investidores de todos os níveis estão espalhados pelo município: Hotel da Barra, Pousada do Alemão (sr. Irving); família Gonçalves (Mercado Português), Okamura.
Em todos os empreendimentos bem sucedidos, há ou houve a presença de “forasteiros” envolvidos;
Profissionais liberais, locadoras, dentistas, advogados estão espalhados pela cidade, Casa essa que pela própria condição de n Estância, voltou às origens do século XIX e tem como meta acolher bem os estrangeiros.
Em 2002, em conversa informal com o saudoso senhor Syrio Félix, falando sobre o futuro de Salesópolis ele sentenciou:
“... e com todos esses contratempos que enfrentamos, o que esperar pelo futuro? O primeiro passo é treinar as pessoas ativas, estruturar o comércio, criar condições e atrações interativas, melhorar as vias de acesso aos pontos turísticos – principalmente a nascente do Tietê e esperar pelos turistas. São os forasteiros que irão suprir a nossa economia...”
Por falar em peregrino, até mesmo este pesquisador tem a honra de publicar os feitos dos salesopolenses e amigos, mas sob licença de Santa Branca, onde ele viu pela primeira vez a luz. 
10/2008.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Por trás da Máscara.

Nesses dias em que se aproxima a festa de São José, é um bom momento para  relembrar alguns textos que falavam desse povo. O primeiro deles é da festa do eucalipto de 2008. 
nati-fazendoartesempre.blog

Colaboração da família Pinheiro. (José Jacinto in memórian)

É chegado o esperado dia.
Durante todo o ano, a vida - com seus altos e baixos -, se ajeitou.
Os munícipes e convidados vão chegando e se instalando nas redondezas do Franciscão. É a festa do eucalipto que se realiza na submissa Salé. Fatos e feitos tradicionais são relembrados nesse evento que vem ganhando dimensão interestadual.
Neste espaço, desta vez, vamos abordar uma particularidade desse povo: o cognome. O apelido é uma forma de a comunidade rotular seus membros e, com isso, criar um personagem adaptado às regras do lugar. O que ninguém nota é que essa prática vem de longa data. É só dar uma olhada no passado para ver o grande contingente de apelidos com raízes centenárias que se espalham por entre os estandes. Nesta festa se encontram descendentes do Totó Fernades, Totó Cardoso, Totó Bonito, Totó Rocha que era primo do Tóte e que foi amigo do Tózinho e da Dona Totò, que não se deixa enganar. Cômico, satírico ou metódico, eles se alastram. Há uma imensa variedade de alcunhas desenvolvida pelos munícipes. Nessa versão, pessoas e personagens se encontram num evento imaginário.
Seguem as honrarias. Sendo a décima primeira edição do evento, muito se fez, mas muito há por fazer. Entre exposições e palestras, os temas versam sobre o principal produto da região: o eucalipto. Uma voz em off anuncia: (ao som de música flamenga)
_ ...Com vocês... o incansável... Magal!!!
Magal – Mude essa música, meu filho! Estamos iniciando mais uma festa do eucalipto e quero lhes dizer que eu também tenho como companheiro um papagaio Louro...
Papagaio – (ao som de moda de viola) Louro...não! Craac! Dosouro!
- Chame, também, o Preá!!! Insistiu alguém de um grupo onde se via membros da família Chaminé; a Zu, o Fofo e o Sórdinha.
Várias barracas cercam o espaço. Propaganda à parte, o charme do lugar se dá à presença feminina. Jovens se encontram, casais se enamoram, pessoas se divertem. Discretamente, pessoas conhecidas percorrem os espaços; Mi, Ma, Gabi; na mostra de reflorestamento ouvem a palestra de Parréla e Tonheca sobre o meio ambiente e a imagem; Shana, Tiana, Ju e a Cáta apreciam as brincadeiras; Lola, Nena e Nega visitam o artesanato.  Marle, Poli, Conce, Igue, Guida questionam Dora, mãe do Japa, numa reunião improvisada sobre educação; já a Nhêta, Bástia, Chú e a dona Cóta, lamentam a falta de um cenário produzido por dona Cila,- em tempo reconhecida pelos feitos locais-; nele, introduzida pela Divina e acompanhada por um improviso apaixonado do Pi, ouviria-se a voz aveludada da Zica, numa singela homenagem a Zéca da Bitica, Frango, Batatão....
Na roda de amigos figuras são lembradas: Panca, Bana, Charuto, Porangaba, Zabé, Zétão... Nomes característicos locais também se expõem: Jô, Tãozinho, Tião tião, primo do Tião Bói, Jaimão e a Tulinha, que tudo contabiliza e manda a conta.
Tala e Tóla se conhecem e Dinho, Dine, Done e Du não formam um quarteto.
Provas.
No chinelo; Billu e Bolão não saem do lugar alegando que Esquerdinha e Guaru queimaram na largada. Feijão e Fumaça se atrapalham; Meio Quilo e Bil, concentrados. Soa o apito.
Magal – Cuidado com os convidados! (na platéia: Bê, Tano, Preta;) – Segurem o Lebre, o Burrico!... Não pisem no Sapo!;  Protejam o Galo! Olha o Grilo!!!
Correndo por fora, Meio Quilo e Bil são os vencedores.
Zezé, Zico e Juca não são parentes. Ticão e Miagui são amigos de infância e, ao lado de Sulica; Beto, Cris e o Nato, aplaudem da escada.
Dosouro - No cabo de guerra teríamos; craac! de um lado, a turma do Pega Taz; do outro, a turma do Corote. Com a ausência do segundo competidor, craac, entraram: Cheiroso, Pirulito, Pacuia, Biriba, Macalé, Cabeça; força, moçada!
Magal - Resultado: foram desclassificados Pirolinha, Pistolinha, o Passarela, o Minhoca ....(Agitação entre os competidores) - Alguém chame por reforço para conter os revoltados.
Dosouro – Craac! Chamem o Cunhão, o Piaza e o Ventania e detenham o Fubá, o Pestana e o Biqüila por prática ofensiva.

Na roda dos ex-esportistas, sobressaía a figura dos veteranos: Xarope, Furacão, Flecha, Ferpudo, Gi, Mingo, Caçarola, Gato, Tifú; o saudoso Quinabraia também foi lembrado.

Amontoados em frente às arquibancadas espremiam-se o Birosca, o Tocha, Da Lua, o Véio, Goiaba, Parafuso e o Poeta; eles incentivavam na corrida com toras onde o Arroz, Tartaruga, Unheiro, Branco, Galego e Caranguejo mostravam suas forças. O vencedor foi o Cotonete e o Vardão saiu bravo e com o chapéu amassado.
Na prova de arremesso de toras desclassificou os seguintes competidores; Cabeludo, Presépio, Polenta, Gringo, Carioca, Pelé, Babalu, Frangão, Pio, Biro, Xixi e Bahia. Os finalistas era a nata dos mais fortes: Carnudo, Zé do Bófe, Déquinha e Chico Diabo. O Júri, no entanto, desconsiderou o resultado por eles apresentado, então foi criada uma rápida comissão para decidir o resultado. Apresentaram-se Chacrinha, Barrinha, o Xuxa, Nhonho, Nilão, Nil e o J.B.; a presidência foi dada ao Quietinho. Considerou-se vencedor Déquinha que ofereceu a vitória à memória de seu pai, Pinheiro, e do saudoso Capivara. Alguém lembrou o Lendário Nhôr, do Fuinha, Bi, Cambéva, Farelão, o Carijó, o Cará...  
Magal - No sorteio avulso foram premiados: Diz aí Louro; quem levou a camiseta?
 – Louro, não! Dosouro. A camiseta foi pro Bigode; craac, o boné, no par ou impar o Chororó perdeu para o Amarelo; o chaveiro para o Borracheiro, craac; O Ney dispensou o brinde; o Cordeiro e o Sujinho não estavam na nos arredores.
- “O nobre colega permite-me um aparte? O Cordeiro citado é nome e não apelido”. Afiançou o Nico acólito com a aprovação do Nico da Lenita e do Nicão. O Nico da Santa Casa estava em lua de mel, na praia.
Na barraca do churrasco pousavam para foto: Vanuza, o Chiba, Seninha, Pintinho, Capim, Pacuera, Masquinha...
Na prova do tambor havia uma fila de espera: Pescoço, Sardinha, Pisqüila; apostavam no Bob; já o Formiga, Fuscão e o Criança exibiam roupas sujas de pó de serra, fruto do tombo que levaram.
 (Agito próximo ao palco e o papagaio é depenado) – Socorro!!
Magal – O que foi Louro?
- Louro não, Dosouro! Eles me atacaram porque eu lhes perguntei se alguém estava com a ruela do Heno. 
Prova do descascamento.
Dosouro – Temos aqui, craac, uma questão difícil. O Rapacuia protesta que seu, craac, toco é muito grosso, mais comprido e duro; enquanto que os dos demais são moles curto e fininhos. (Nova pancadaria se estendeu no centro do ringue). Na barraca das batidas, Naldo, Negão, Bracaiá, Gordo, Gui, Gaiola ignoram e divertem-se com as piadas do Nhaca.
Na prova com obstáculos, o Juriti, o Pombo, o Curruíra e o Biguá saíram voando sobre os obstáculos; O Jabuti, o Tatu, o Carneiro e o Gordinho foram erroneamente escalados contra o Lagarto, o Coelho, o Rato o Xita. O Piriquito se manteve sentado, o Sagüi ficou na sombra; o Bode e o Bodinho expunham um novo perfume; o Jacaré, o Castor e o Trator, por serem de Biritiba, ficaram perto rio; dizem que eles temiam as rondas do Kiko e do Nego próximo ao Paraitinga. O Raposa - ao lado do Sabiá, Cuitelo, Canário e do Coruja -, torcia...
Se o assunto era quinta roda; Batata, Paralama, Melancia, Catatau, Serrinha, Sarninha, Gata Véia, se explicavam; se fosse cambão de engate, as opiniões ponderadas vinham do Nenê, do Cascudo, Bolacha, Lambari e do Pica Pau.
Magal - Diz aí, Louro! Qual o resultado do concurso de piadas?
Dosouro- Louro...não! Dosouro. Num júri formado (craac) Rei de Ouro, Prata Fina, Céu Azul e Ouro Verde; Bola Branca, Bucha, Maroca, Craac,
E o primeiro lugar, Louro?
_ Louro não... craac! Em primeiro lugar, ficou a piada do Cipó. Ele afirmou que o Zelão, Nirdão, Ponteado, Boiadeiro, Salim, o Barbeirinho e o Borracha alugaram um condomínio na Ilha Bela por uma semana, onde ficaram acampado pescando “espadas” e jogando Paciência.
O resultado provocou aplausos do Salé, do Inseto, e da roda animada: Pardal, Nhardo, Inho e Português sobre protestos de Tição, da Lu, do Pite, do Déo, do Mala Véia e do Barba, também concorrentes..
Na sombra da mata ribeirinha, Salsicha, Cebola, Feijão e senhores Buby e Lála falam sobre o custo de vida.
Observando o estande das máquinas, dos tratores; os Japãos (mecânico e lavador), China, Bokão, Bokinha, Viola, Chulapa  e Sacomani  gastavam sugestões sobre suas manutenções.
Sobre as motoserras; Índio, Tiririca, Pezão, Brinco, Tiquinho e Neno tinham a mesma opinião.

Durante os dias foram assim. Pessoas das mais variadas regiões e, até estado, participaram.
Com a aproximação do fim do evento, restam os cacoetes improvisados por Magal e Dosouro: “pega, pega, pega. Descasca o pau dona Maria; abrace o pau com carinho e não deixe ele escorregar”.

A chegada do crepúsculo contabiliza centenas de olhares, de declarações afetivas, pessoas que se reencontraram e a festa, em si, cumpriu a sua função.   
Na tarde de domingo, sob os olhares atentos de Belo, Pitanga e Tio e dos incansáveis vigias Barroca e Buldog; Jóca dispensa a palavra; as autoridades proclamam seus discursos, as Mineiras se despedem. Coca, Careca, Paiacã, Garrucha exibem seus prêmios; Cóbinho, Taquara, Ferrugem, Bicudo e Biscoito, nada levam, mas estão cansados e felizes.
Magal, sem voz, mal ouve o pigarreado de seu companheiro, Dosouro. Ao perceberem que a missão foi cumprida mergulham em profunda introspecção.
Há descontentes e haverá discordância das despesas.
Por trás das alcunhas se esconde a verdadeira fisionomia da força que move o município.
A noite silencia a multidão com seus algozes e esperanças, mas a figura humilde do Juruna (Agostinho Leme da Cruz) garante que tudo vai ficar “bão”.



sábado, 7 de março de 2015

Rosas Vermelhas.

O dia oito de março passou a ser chamado dia da mulher. Hoje, em função do intenso interesse comercial, todo o mês vem sendo consagrado a elas. Nada desabona tal conduta em função da sua imprescindível participação na sociedade.
Sua presença é necessária desde o início da humanidade. A função que o homem ocupa na cadeia alimentar exige que a formação de novos seres seja precedida de gestação, amamentação e cuidados especiais até que na adolescência eles sejam preparados para ocuparem seus lugares na coletividade. Assim, fez a Natureza o macho, guerreiro, desbravador, subjugador e a fêmea, ser com temperamento maternal e dotes físicos para gerarem novas crias. Impôs, também, a necessidade de se completarem e um intenso instinto de reprodução e de sobrevivência que os mantém em constante busca pelo sexo oposto.
Mas, se por um lado, a ambição humana buscou novas conquistas; o intercâmbio com outras culturas gerou os primeiros passos para a queda desse hábito estabelecido.
Durante milênios, a imagem submissa daquela que foi chamada mulher, com a imponência do fator religioso empírico, era tida como imaculada, sagrada, santificada. Enquanto prevaleceu o sistema patriarcal familiar, elas foram educadas para servirem, mas a história mostra que entre elas havia figura de opinião. A própria Bíblia expõe mulheres que foram além de seus limites: Ester, Dalila, Ruth e a mais cultuada: Maria de Nazaré; em seu tempo, fizeram-se célebres por suas condutas.
No século dezenove, o movimento Romântico, entre tantos devaneios, as comparava com rosas, contudo, os contrastes mundanos que levaria a derrocada os padrões seculares entronizados, e que lançaria as bases para a atual sociedade estava em andamento. No decurso das duas Guerras Mundiais a civilização conheceu o caos e as remanescentes delas não seriam as mesmas.
As conquistas pessoais e os avanços científicos e sociais permitiram a uma nova concepção de vida. Se antes eram instigadas a uma sexualidade limitada ao casamento, a ciência trouxe os contraceptivos enquanto os movimentos juvenis as colocaram na estrada e lhes mostraram o sol nascente.
No final dos anos setenta, com a aprovação da Lei do Divórcio, estava dado um passo fundamental para a sua liberdade. Nos anos subsequentes elas conquistariam ao mercado de trabalho e estão assumindo posição de destaque em todas as alas. Hoje, operam máquinas, caminhões, são médicas, artistas, pedreiras, frentistas, condutoras, diretoras, professoras, e sem deixar de ser mãe e mulher. Estão em todas as camadas, espalhadas pelos postos de saúde, pelos corredores dos hospitais; despontam no comando do submundo das drogas, há dependentes químicas... Aquela figura submissa, de voz mansa, hoje explora o corpo, seduz e parte em busca de seus desejos. Qual será o seu futuro? O tempo dirá. Competência, determinação, elas têm; o avanço conquistado mostra isso. Ignorá-las, impossível. Não importa o grau de instrução ou a posição que se ocupe, a necessidade do convívio, da partilha com o sexo oposto prevalece e as dificuldades de restabelecer um relacionamento duradouro, também. A união sólida a dois acontece quando uma das partes
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se submete; até a algumas décadas elas faziam isso, hoje estão virando essa página. Apesar da independência, no entanto, as mulheres são fontes da vida. Com todo o avanço da medicina, ainda não é possível gerar um novo ser sem a sua participação. Porém, a vida as fez independentes, combativas e lhes ensina os conceitos de sua nova posição. Socialmente, admitir sua liderança não é um prestígio tardio, mas a reparação de um terreno que a própria masculinida
de perdeu. Compará-las á rosas, hoje, só se for com rosas vermelhas. Aquelas que trazem a cor do sangue, da luta e da sedução. Por trás da armadura de guerreira, há um oásis de prazer, um colo e afeto. Tão grande quanto a sua imponência, são os seus dotes femininos, mas por serem independentes, para conquistá-las tem que se usar de tato, determinação, sensibilidade. Afinal, todas as rosas têm espinhos e, se mal tocada, podem ferir...



sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Parabéns Salesópolis.

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São 177 anos de um progresso lento e cheio de solavancos. Devido a sua localização geográfica, Salesópolis sofre com as dificuldades na busca por sua independência econômica. Apesar de ser uma Estância Turística e basicamente estruturada na monocultura do eucalipto, nos produtos hortifrutigranjeiros e na prestação de serviços, seus cidadãos vivem no limite entre a criatividade e o improviso para acompanharem as mudanças do mercado. Mas nem tudo é tristeza. Apesar das dificuldades típicas da região, eles têm em mãos uma grande reserva de floresta renovável e uma considerável disposição para explorá-la. Se surgem imprevistos, eles partem em busca de novos rumos. São guerreiros que despertam antes do amanhecer e não fogem da luta. Além disso, são ambiciosos, comedidos (apelidam a todos que encontram), saudosistas, religiosos – provavelmente é uma das cidades que mais contribuíram com a formação de padres para o catolicismo-, sonhadores, barulhentos, festeiros e, ao mesmo tempo, acolhedores, solidários e amigos.
Qual seria a melhor data para comemorar o aniversário da cidade? A história afirma que o seu reconhecimento se deu no dia 28 de fevereiro de 1838; porém, seus limites geográficos foram pré-demarcados na data em que ela se tornou Capela Curada, em 25 de outubro de 1831; se fosse considerado a data de formação da primeira comunidade, então seria em 25 de fevereiro de 1813; mas a sua emancipação política só se deu com a primeira composição Camarista da Vila formada em 02 de dezembro de 1857.

 E então: qual data mais se aproxima da realidade desse povo?...Agora. Esse é o momento. Então, parabéns!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

São Jozé do Parahytinga: duzentos e dois anos de história.

Tamoios - google
A região alta dos rios Paraitinga, Tietê e Claro, quando se tornou conhecida dos colonizadores, era cortada por trilhas milenares traçadas pelos nativos. A principal delas interligava a atual cidade de São Paulo -via Ubatuba- ao Rio de Janeiro. Era Rota dos Guaianazes conforme descrição feita num relato no site de Paraibuna. *“O antigo caminho dos Guaianases, que ligava o Rio de Janeiro a São Paulo, unindo as tribos de serra acima às do litoral. Saindo de São Paulo de Piratininga, subindo o rio Tietê, passando pela freguesia da Penha de França, São Miguel, Mogi das Cruzes, atingia suas nascentes, descia-se passando-se pelo bairro do Roseira, seguindo a corrente do rio Fartura, passava por sobre a sua foz desaguando no Rio Paraibuna, seguia em direção à Natividade da Serra, em direção à Ubatuba e seguia-se acompanhando o litoral até Paraty e Cabo Frio, Angra dos Reis, deste ponto até o Rio de Janeiro, a antiga aldeia de Uruçumirim”
Padre Anchieta- Google.
No século XVI, os jesuítas da Companhia de Jesus travaram os primeiros contatos junto ao litoral e, por conseguinte, com os planaltos que se estendiam além serra. O próprio site afirma que _*(Pelas margens do rio Paraibuna passou o próprio padre José de Anchieta, que aquí esteve no ano de 1561 na esperança de apaziguar os índios Tamuya (Tamoio) que levavam perigo constante aos fazendeiros de São Paulo de Piratininga). Em Salesópolis, por exemplo, ela despontava da cabeceira do Paraitinga, guinava para a margem esquerda do Tietê e nela permanecia.
Com o extermínio dos Tamoios permaneceu o caminho que interligava os vales do Tietê e do Paraíba. A partir de 1611, quando André de Leão partiu com sua Bandeira desbravando, reconhecendo e povoando todo o vale, estava lançada a busca pela colonização da região leste. A cada núcleo assentado novos caminhos se dirigiam em busca da antiga rota que estava consolidada até o litoral.
Entre os achados, o ouro foi o grande atrativo comercial. Por ser uma cobiçada moeda comercial, muitos aventureiros para cá vieram e, com eles, os piratas, exploradores que depredavam as riquezas naturais.    
Visando um maior controle da exploração econômica, Portugal mudou a capital da Província que era sediada na Bahia, para o Rio de Janeiro. Incentivou, através de decreto, a colonização dos acessos ao litoral o que fortaleceu o contato entre os “sesmeiros” da região leste de São Paulo de Piratininga.
Desde meados do século XVIII que os jegues haviam sido inseridos nos transportes, a velha Rota dos Guaianazes e seus inúmeros acessos, com o passar do tempo, foi demarcada em pontos de descanso em trechos compreendidos entre vinte e trinta mil metros. Um desses pontos, improvisado há uma légua do tradicional pouso, em função do entroncamento com outras trilhas que vinham do Vale, prosperou.
Igreja - Foto Faria
O ponto de encontro, na verdade, foi um acontecimento normal do aumento populacional. Vinda do Alto Paraíba, a trilha milenar cruzava com o bebedouro, que hoje é denominado córrego do Padre Manoel, seguia em direção ao Rio Tietê. Por ser um caminho de nômades, buscava sempre as várgeas e, naquela altura, recebia os novos viajantes dos assentamentos em formação.
Em 1808, a vinda da Família real para o Brasil, D.João VI criou leis que possibilitavam o comércio e aumentou a tributação para o Império. Com a presença de portugueses, a prática religiosa não ficou a margem. Assim, nessa pousada, em 25 de fevereiro de 1813, a Cúria Metropolitana determinou a criação de uma pequena Comunidade, consagrada a São Jozé, ao lado do Rio Paraytinga. (Igreja localizada no centro da antiga sede)

Bantos - Google
Em 1831, dezoito anos após a sua fundação, a capela passou a categoria de Curada. Utilizando o critério de divisor de águas, delimitava as suas divisas.
Em 1832, o padre Manuel de Faria Dória inaugurou uma picada que cortava caminho interligando o Vale do Paraíba direto ao Porto de São Sebastião. A comunidade elevou-se a Freguesia pela Lei n.º 17, da Província de São Paulo, no dia 28 de fevereiro de 1838.
Em 21 de março do mesmo ano, visando à construção de uma capela, em homenagem ao padroeiro, foi feita por Antonio Martins de Macedo (Aranha) ao cidadão Domingos Freire de Almeida e outros a doação de uma área onde se localiza, nos dias de hoje, a Praça Pe. João Menendes até o Posto de Saúde.
A 14 de abril de 1838, os alferes José Luís de Carvalho e Francisco Gonçalves de Mello, o capitão Alecho de Miranda e o Sr. Domingos Freire de Almeida compraram, do mesmo Antônio Aranha e herdeiros, uma área correspondente a oito quarteirões (região que compreende o terreno dos Carmonas, Margem do Rio Paraitinga e Vila Henrique).
 Em 09 de março de 1839, o Padre Manuel de Faria Dória assentou a pedra fundamental da nova igreja matriz (dentro da propriedade coletiva). Ainda em 1839, escravos, enquanto debulhavam milho, assassinaram o senhor escravagista Alferes José Luiz de Carvalho.
Através de escritura pública de 06 de agosto de 1841- livro n.º 27- fls.47 a 48, Francisco Gonçalves de Mello, Alecho de Miranda, Domingos Freire de Almeida e Floriana Rodrigues de Jesus, doaram a antiga propriedade do Aranha para a servidão pública. Devido ao caráter social dessa atitude, são considerados benfeitores do povoado de São Jozé do Parahytinga.
A facção Liberal liderava o Ministério do 2º Reinado, mas foi substituída, em 1841, por um grupo Conservador. Os Liberais, derrotados sob a acusação de fraude eleitoral se revoltam. Como resposta, preocupado com o avanço das guerrilhas que cresciam no sul e sudeste do país, o Imperador determinou vigilância nos acessos ao mar. Com isso, a Freguesia de São José do Paraytinga passou a ser um Distrito Policial, com a interdição da Picada Dória, em 1842.
Com estreita relação com o próspero Vale do Paraíba, São Jozé foi se adaptando às novas necessidades. O avanço político mostra a Lei Provincial n.º 9, de março de 1857 da Assembléia Legislativa Provincial eleva, para a categoria de Vila, a Freguesia de São José do Paraytinga e obriga os seus habitantes a construírem a sua Casa de Leis. A primeira composição Camarista da Vila foi formada em 02 de dezembro de 1857.
Em 1866, fazendo valer a sua autoridade, a Câmara Municipal elaborou um documento que regulamentava, em caráter, oficial as divisas do município.
Bento Claro. Foto Faria.
O café é a força econômica paulista e São Jozé do Parahytinga um forte coadjuvante. Em 1870, com a inauguração da estação ferroviária na atual Guararema, abriram-se novas perspectivas. Segundo as narrativas de velhos tropeiros, a caminhada até Mogi os obrigava a pernoitarem para atingirem o comércio de Mogi das Cruzes; com a abertura da estação as margens do Paraíba esse trajeto era feito em um dia. Esse itinerário permaneceu até meados do século XX. Com essa conquista, ricos proprietários avançaram pelo alto Tietê e arredores.
Campos Vergueiro. Divulgação
Em 1874, a população duplicava, pulando de 1.935 para 4.103 habitantes. Um documento distribuído pela Igreja católica mostra que, só neste ano um pároco - Bento Claro - passou a residir na vila.
Em 13 de maio de 1888, a escravidão foi extinta. A falta de mão de obra levou os senadores a buscarem alternativas. Então, em 1889, baseado numa experiência do senador Nicolau de Campos Vergueiro, aprovaram a Lei das Parcerias, o que possibilitou a vinda de imigrantes para trabalharem como colonos em regime de meeiro. Cumprindo a exigência de terem profissão definida, pousaram em São Jozé do Parahytinga e adjacências pessoas das mais diversas atividades. Vieram os grandes artesãos da culinária (queijos, massas, bolos, carnes), da madeira (linha, vigas, caibros, tábuas, esquadrias, acabamentos, carros de bois, charretes, portas e janelas colônias), da cerâmica (tijolos, pisos artísticos). Este núcleo estava em franca ampliação pelo território, formando a pequena classe média. Fundaram-se escolas em que os professores ensinavam gratuitamente. Como prova dessa conquista, temos a professora Henriqueta Pereira que, em 1886, dava início, aqui, as suas atividades.
Mestra Henriqueta. A.E
Campos Sales. Google.
Mais uma vez a força do Vale do Paraíba volta apesar nas decisões políticas e, através da Lei Estadual n.º 470, de 20 de dezembro de 1896, o município passa a pertencer à Comarca de Santa Branca. Na sessão da Câmara Municipal da Vila, do dia 08 de junho de 1900, os edis solicitaram ao Governo Estadual a alteração do nome do município de São Jozé do Parahytinga. Segundo a justificativa dos legisladores, o desvio de correspondência entre São Jozé do Paraytinga e de São Luiz do Paraytinga causava transtornos. Assim, os Joseenses do Paraitinga desejaram homenagear Manuel Ferraz de Campos Sales, o que ocorreu, oficialmente, em 16 de novembro de 1905. Para a nova denominação, o município buscou inspiração na Grécia. Salesópolis significa “Cidade de Sales”.

Dados estatísticos conforme pesquisas de André R. da Silva, Google,
Graciete Miranda de Souza, Geraldo C.dos Santos, Revista
Salesópolis , jornal A Caminho, Foto Faria. *www.paraibuna.sp.gov.br/ história