sábado, 14 de novembro de 2020

Na Ponta do Dedo.

    O ano de 2020 está sendo atípico. A pandemia real e a mal dimensionada ampliaram a distância entre eleitores e aspirantes a cargos públicos. Há contradição nas notícias tratadas pelos veículos de informação, ao mesmo tempo em que a exploração financeira e política vem confundindo o eleitor, que ainda é bombardeado pelos “memes e fake News” capazes de transformar cavalheiros em gatunos e ratazanas em celebridades.

    No dia 15 de novembro, excepcionalmente, será convocado o sufrágio universal que selecionará os militantes para a gestão dos municípios. Será uma eleição diferenciada, ansiando evitar o risco de contágio pelo Covid-19, fato que acarretará numa série de cuidados visando preservar o bem estar dos funcionários e eleitores. A disputa terá prejuízo porque as campanhas ficaram limitadas pelo distanciamento social.  A barreira que foi imposta pelo calor dos acontecimentos, no entanto, foi para todos os segmentos. Nas urnas, eles estarão testando suas credibilidades, cheias de boas intenções e promessas, à munícipes cada vez mais desconfiados.

   Em Salesópolis, são cinco os pares numa batalha acirrada pelo apoio popular. Mas há alguns paradigmas que veem sendo quebrados. Nos últimos pleitos, houve o fantasma da candidatura do vice-prefeito que acabou se elegendo. Neste ano, não. Também, por razões particulares, os antigos caciques que se revezavam na prefeitura ficaram de fora. Em seus lugares, novos pretendentes se disponibilizaram a buscar o cargo maior; haverá, portanto, renovações. Com a obrigatoriedade da inclusão da presença feminina no certame, será real a probabilidade de mais vereadoras eleitas no próximo mandato. Ainda nessa esfera de renovação, vem proliferando a expectativa de que a reeleição de alguns edis seja rejeitada pela população. Haja vista, nos EU há uma ferrenha batalha judicial para provar a existência ou não de fraudes e garantir a permanência de Trump. Isso, no entanto, trata-se de políticos que buscaram a sua reabilitação nos cargos em que se mantinham. Já no âmbito municipal em questão, não houve reeleição direta até o momento, mas é um evento que pode acontecer. Outro fato novo é o fim das coligações partidárias para vereadores, tendo o grupo que atingir um número mínimo de votos par selecionar seu representante. De qualquer forma, com cinco candidatos, o futuro prefeito terá baixa vantagem de votos sobre os demais e correndo o risco de contar com poucos defensores na Câmara, o que acarretará dificuldades na aprovação dos projetos. Portanto, os próximos anos trarão grandes desafios, assim como a pandemia que vem assolando o mundo; por outro prisma, causará a oportunidade de formar novas e atualizadas lideranças para um mundo modernizado, globalizado e digitalizado, onde tudo ocorre no tocar de dedos.

 


domingo, 1 de novembro de 2020

A Face Oculta "Do face".

 Em 2007, uma nova plataforma voltada ao entretenimento é lançada ao mercado brasileiro: o Facebook. Como toda novidade digital, ela apresentava vantagens sobre os concorrentes e, naturalmente, conquistou seu espaço.  No decorrer desse tempo, outros aplicativos vieram a se somar a ela e a privacidade social passou a ser algo público. A concorrência entre os meios modernos de comunicação – telefone, foto, vídeos, etc... -, chegou ao ponto inquietante. Não é um elo entre um nível de idade específica: nela navegam jovens, adultos e a animada melhor idade também vem se adaptando e se entregando aos prazeres digitais. Não se pode negar de que se trata de um veículo importante para a atualidade. Com ela, pode-se integrar com o planeta e, sem sair de casa. A maleabilidade com que permite o envio de imagens, áudios, vídeos, faz do Facebook, assim como outros canais eletrônicos, janelas que permitem vasculhar o mundo. Através delas, é possível saber o que existe atrás das montanhas, dos mares; todos os continentes se interagem e não há mais motivos para se sentir isolado. Basta ter uma conta em sua responsabilidade e todos os mistérios e segredos da humanidade podem estar em sua mão, num clic.

   Mas nem tudo são vantagens. Para o seu uso pleno há regras que são pelo usuário aceitas e as mesmas permitem que a empresa administradora acesse e analise os conteúdos em trânsito. Isso se deu em virtude do mal uso dessas plataformas, onde notícias falsas são propagadas com a mesma intensidade que as verdadeiras.  Haja vista o rigor com que as administradoras se impuseram, recentemente, ocultando “news” enviadas por autoridades mundiais. Após ter constatado que as “fakes” foram nocivas na campanhas eleitorais e continuaram prejudicando condutas de pessoas do bem. As provedoras admitem que, se necessário, aplicam um olhar crítico sobre o post para evitar que esse mal se expanda, orientando, mas respeitando o direito universal de expressão dos países democráticos. Todos os usuários devem atentar para o conteúdo que expõem. A responsabilidade pelos posts é de cada um; portanto, uma vez publicada, as camadas que por ele foram indicadas terão pleno acesso às suas intimidades reveladas nos arquivos, nos textos, nos subtextos; sem falar nos hackers que sondam as publicações atrás de temas e dados de seus interesses. Se a opção for ao público, todos que entrarem na plataforma terão acesso aos seus documentos, fotos e afins, e eles trazem todo o contexto psicológico com que o autor convive. As matérias, em geral, visam divertir, relembrar, expor opiniões ou alimentar o ego. A ferramenta é a ponte entre o povo e seus contatos; já para a massa, bom mesmo e um número elevado de curtidas.

  A noção de importância que as redes sociais têm na vida, entre outras coisas, nota-se quando alguém procura ingressar em alguma agremiação, ou numa entrevista de emprego. Um dos itens indagado é se o candidato faz uso de redes sociais; motivo; através delas, os analistas identificam as forças que movem o usuário como tristeza, ansiedade, aptidão política, liderança, tédio. Aquilo que as palavras não expressam, os posts contínuos demonstram de forma clara aos pesquisadores. As suas ações e reações relatam de forma sigilosa e verdadeira, as virtudes e defeitos que a educação, que as formalidades ocultam e a sua discrição tenta disfarçar. Logo, a janela que lhe descortina o universo é a mesma que expõe ao mundo o seu perfil sem mascara; com seus encantos, suas mazelas e temores. 

Quando for postar algo de foro íntimo, pense nisso!

domingo, 26 de julho de 2020

A Longa Espera.


Sobre a cadeira de balanço pairava a figura terna do velho José. O seu “Zé” de alguns, o “tio Zé” de outros. O olhar cansado de tantos anos buscava no vazio, mas “ela” não estava. Nada além da brisa vespertina que dava movimento às samambaias em seus xaxins.
 Envolto em seus pensamentos e com os óculos sobre o nariz, momentaneamente desviou sua atenção e agora se esforçava para ver o que a revista juvenil de sua neta mostrava. Era algo sobre flacidez e fornecia alguns exercícios localizados para eliminar tal desconforto. O que mais lhe chamou a atenção foi o corpo nu da modelo. Deitada de bruços e ocultando dos flashes as partes “vitais”, a jovem era de escultura perfeita e totalmente bronzeada; fato esse que o fez recordar de um ocorrido num passado distante. Aos dezoito anos e com o casamento marcado, acabou por ser vítima dos amigos da época que lhe aprontaram uma surpresa. Meses antes do enlace, promoveram uma festa na cidade - num quarto de hotel para ser mais exato-; queriam saber de sua opinião sobre as condições de aluguel daquele cômodo. Embora estranhando o convite, aprovou as condições crendo que seria um bom negócio e isso foi motivo para uma alegre comemoração. Ficou intrigado pelo fato de serem pessoas simples, mas optaram por bebidas caras chegando, até mesmo, a um legítimo “blended” escocês. Não tardaram as consequências; os olhos turvavam, as pernas ficaram bambas. Era hora de parar. Outra nova surpresa: ninguém protestou e ordeiramente foram saindo, um - a – um, até que o último lhe pediu que apagasse a luz do banheiro. Com a mente confusa obedeceu e, num único toque, impôs o breu àquele cubículo anexado ao quarto. Voltou e se dirigiu à porta, mas ela havia sido fechada por fora. Ocorreu-lhe a forte sensação de que “ela” estaria ali. Perturbado, olhou em volta, mas antes que chamasse por alguém, o que viu o fez estremecer. Uma mulher, toda maliciosa se irrompeu pelo ambiente e o agarrou. A princípio, tentou desvencilhar-se. Fervilhava na mente o desabono do padre Azevedo; podia ver sua mãe, em prantos, fazendo penitência; sua noiva o desprezaria..., mas era tarde. Com apetite voraz aquela esfomeada o devorava literalmente. Na inútil tentativa de repeli-la, lembrou dos amigos que, com certeza, estariam por perto a observá-lo. Deu-se por vencido e, pela primeira vez, sentiu que seu espírito foi elevado pelos confins do espaço cósmico. Só mais tarde, quando recobrou a consciência, foi que notou que ela ressonava de bruços, tal e qual aquela modelo da revista, mas, com uma ressalva: não era o tipo ideal para aquele anuncio. Com os maus tratos das noites, as bebedeiras, as extravagâncias, fizeram com que seu corpo, apesar de jovem, ostentasse todos os defeitos que as mulheres detestam e os homens condenam: estrias, celulite, gorduras localizadas. Mas, afinal, que diabos estava ele pensando nestes disparates?... se autocensurando, chegando até a ruborizar as faces, fechou a revista, livrou-se dela e mudou de lugar.

Lá dentro, os netos fazem a tradicional arruaça; os meninos usam argolas nas orelhas; vivem coçando a virilhas, ouvem músicas barulhentas - dizem que é moda - mas, se ocorre um momento sequer de distração, os olhos buscam no horizonte e, em silêncio, indagam: “ela” estaria lá? Reina a inquietação de que tanto lhe ocorrera nas inúmeras noites, desde a infância.

Depois da fatídica experiência daquele quarto de hotel, casou-se e viveu intensamente aquela união. Em nenhum momento, porém, distanciou-se “dela”. Na chegada do primeiro filho, enquanto sua esposa agonizava nas contrações, percebia-se “sua” presença. Outros vieram, filhos e filhas, somaram-se doze; todos saudáveis e sapecas. Em todos os nascimentos, surgia como uma ansiedade, um arrepio; era a “sua” presença. Lá, nas grandes navegações, nos cultos pagãos, nas guerras mundiais “ela” estava. Bastava despontar alguma duvida, “algo” espreitava. Em todos os aglomerados, estádios de futebol, trens lotados; onde há vida, há a “expectativa” e isso já o acompanha há muitos anos.

 Num dia muito triste sua esposa deixou seu convívio. Complicações múltiplas fizeram-na expirar. Com a sua partida, muito se chorou, mas o tempo se encarregou de atenuar todo o desconforto e as mágoas foram estancadas. O acúmulo de anos o fez compreender que a partida de alguém é algo tão natural quanto a sua chegada. O que leva as pessoas se apegarem as outras, como se fossem suas, nada mais é do que a ação do egoísmo e da ignorância. Na vida, nada nos pertence! Tudo gira em torno de uma Força Maior que a todos coordena e os dota de talentos natos para que deles utilizem. Ninguém, portanto, é propriedade de ninguém. A terra é imensa e os homens necessitam de tão pouco para viverem. Há espaço para todos e os grãos e as hortaliças, se semeados em épocas apropriadas e cuidados com presteza, produzem em abundância. Bom para as pessoas é ser livre, ter companheirismo, calor humano, mas tudo isso é gratuito e se renova em seu interior. O que os faz perecer são as aglomerações e as disputas por lideranças. Nestas questões, invariavelmente “ela” está envolvida. Que o digam os movimentos militares, sociais e políticos, os protestos de ruas onde os jovens eram chamados a povoar os parques, as ruas, sempre obedecendo às doutrinas ministradas por lideres que almejavam e conseguiram os seus intentos. Hoje, são presidentes, governadores, figuras condecoradas e, a massa heterogênea que repetia em coro as palavras de ordem, continua lá, obrigada a pagar em dia seus tributos e a ver os chefes, com suas armações, sangrarem a força que move o mundo. Pediram apoio e retribuíram com medidas provisórias, decretos que freiam as ideias realmente sociais. Investiram no futuro, enfrentaram todos os obstáculos; mas, no afã de vitória, esqueceram de um mundo fantástico que ainda espera para ser desbravado. Oculto nos planaltos e serras, repousam cachoeiras cristalinas, ares puros e céu que na noite quase sempre é estrelado; fontes vitais que proporcionam ao ser humano o que ele mais necessita: qualidade de vida.

A posição em que se encontrava se fazia incômoda. Descruzando as pernas, vê que uma de suas netas se aproximava, lentamente, como que se esperasse uma ordem para entrar no mundo místico do avô. Ostentando o corpo já formado, reluz o piercing no umbigo devido à blusa curta e a calça de cós rebaixado e ostenta nos olhos o fogo do desejo. É esperta, uma garota normal para a sua idade. Lentamente se ajeita ao lado do velho e fala de suas aventuras, de suas esperanças para com o futuro, onde a grandeza e o exagero estão presentes. Todo jovem é assim. Almeja muito, mas a vida vai modelando e priorizando os fatos mais importantes. Os contratempos são necessários para que o espírito não se perca em coisas fúteis e possa amadurecer cultivando cerne em seu interior que o galvanizará nas quedas diárias. Confiante, ela ajeita os cabelos e, beijando carinhosamente o avô, o deixa com seus pensamentos.

Todas as lutas e desejos são obras oriundas das concentrações desordenadas que favorecem a ambição e, essa gana, acaba por roubar-lhes os momentos mais marcantes. Tudo é passageiro, mas as boas e más lembranças perduram. Com olhar distante e sentindo o cansaço de sete décadas de trabalhos, prazeres e dificuldades, ele mantém sua viagem no mundo das ponderações. Hoje, entretanto, “ela” que sempre o aguardava no dobrar da esquina, no ruído do sótão; agora, se faz cada vez mais presente. Está por trás dos conflitos do Oriente Médio. “É” a coragem obcecada dos ‘homens e mulheres bombas’ que aterrorizam Israel. Está oculta no ódio, no temor americano e foi uma das  causadora das lágrimas em Kandahar. É possível “senti-la” a cada instante. Já se manifesta em seus membros; é a companheira das longas noites; é o temor do cão-vigia que ladra, a parceira do quarto escuro ou dos sons emitidos pelos seres noturnos. Dos sonhos, é a realidade; dos devaneios, a sensatez; é o fim de todos os ideais. Só no apogeu dos anos foi possível ver quão ditosos foram os dias do amanhecer ao pôr do sol. Quão gratificante foi ver os filhos crescerem e se multiplicarem. O que dizer das memoráveis tardes de verão ao lado das grandes amizades?... A vida tem sentido e se faz maravilhosa quando é compreendida, mas nada é eterno! É necessário remover o tronco para que o broto frutifique. É fundamental substituir o velho para que o rebento floresça. O sol tem que ser por para que a nova aurora desperte. Assim, quando “ela”, a morte, em sua hora, impor os seus desígnios, que seja de forma natural e tranquila, como a brisa de verão ou como o revoar de gaivotas por sobre o banhado em direção ao poente. 

Depois da batalha, aos vencidos pela labuta diária, enquanto aguardam na urna, retomam o semblante de crianças saudáveis quando repousam;
notícias.uol.com.br
pois dos mortos, até os mais ferrenhos inimigos compadecem. Jazem com eles as ganâncias, as divergências, os atos aparentemente premeditados, as maldades incontroladas. Os contrastes ocorridos foram choques de opiniões, visto que o mundo, com suas inquietações, gerou neles o desejo ardente de unificá-lo. Além do mais, os humanos, mesmo diferenciados e incultos, têm em si a mesma origem. Uma vez tombados e adornados, retomam a essência divina. Mesmos os mais agitados, quando ali se encontram em paz, assumem a verdadeira identidade: não passam de anjos; seres que foram contrariados na busca de seus verdadeiros ideais.

- ‘Vô’!...Vem jantar! A neta lhe chama. É hora de despertar e retornar de sua viagem. Reunindo suas forças e arrastando a sandália, o ancião segue ao encontro de seu maior tesouro: a família.


domingo, 22 de setembro de 2019

Um Fio de Esperança.

Os moradores e usuários da Rua Armindo Soares de Campos, ou da popular estrada da Barra, vivem momentos de expectativas. 
Lembrança do verão passado
Na última semana, após um comunicado por escrito ser entregue nas residencias esclarecendo a forma de como será interditado durante a obra o uso daquela via de acesso a cidade-bairro e vice-versa, levas de materiais foram depositados entre o fim da Avenida Pedro Rodrigues de Camargo Neto e início da citada rua. Guias, blocos, dezenas de manilhas, pedra e areia (divididas em dois pontos: no inicio e na altura do número 200). É o andamento de uma obra que se iniciou em anos passados, mas que se fez mais necessária no último verão  com o desprendimento de grandes rochas das encostas pondo em risco a vida dos moradores que residem em lado direito e partes mais baixas da estrada. 
Caixa em construção
Manilhas blocos.

Vale lembrar que é uma obra  desejada pelos munícipes oriundos do Bairro da Barra e adjacências. É o principal meio de acesso às pousadas, via de comunicação inter-bairros,  dos transportes escolares e de manutenção da rede elétrica muito prejudicada no período das chuvas de verão. 

É uma estrada que sempre apresentou dificuldades de transposição nos dois quilômetros iniciais em virtude da região montanhosa em que se encontra, de seu formato estreito e por ter em sua base a presença de saibro, material erosivo e facilmente transportado pela ação das enxurradas 
Guias
Manilhas


O reinicio foi no dia 17/09 e, pelo montante de material estocado, acredita-se de que ela se estenderá até o limite do perímetro urbano, demarcado pelo antigo mapa cartográfico municipal. 

O desejo de ver toda a extensão daquela rua pavimentada ainda é um sonho, mas com a melhora de seus pontos cruciais, o acesso ao centro urbano será facilitado.

Por hora, além das expectativas, há o desconforto das obras e das interdições; no entanto, há a certeza de melhorias e, se isso ainda não trouxer a solução dos problemas, será mais um passo dado!..

Fotos: snascimento.




quarta-feira, 10 de julho de 2019

Operação pente fino


E persiste o desejo dos políticos brasileiros em reestruturarem e oficializarem as novas regras para as aposentadorias da Previdência Social. Após meses de discussão, finalmente, está sendo discutida e deverá ser votada na Câmara Federal as regras para a Reforma Previdenciária. Não há como negar de que os tempos são outros e que as necessidades se ampliaram exigindo a reposição de caixa para atender a uma população que envelhece, que precisa de mais estrutura e que tem o direito de ser amparada.
No ano de 2017, concluiu-se uma CPI que expôs de forma escandalosa os números dos descasos da fiscalização, ignorada pelo Estado, trazendo à tona ampla relação dos devedores para com aquele Órgão Governamental. As cifras são elevadas e permanecem em compasso de espera. A justificativa para tal correção das discrepâncias econômicas visa -segundo eles- corrigir a deficiência orçamentária em comparação com o déficit anual e a arrecadação. Citam algo em torno de 309 bilhões de reais para 2019¹, e com previsão de aumento gradativo estimado para as próximas décadas. Entre os debates acalorados, é comparada com a metáfora do pente fino que, entre outras ações, promete reaver aposentadorias ilegais e as cancelando com o reaproveitamento desses valores no combate às defasagens orçamentárias para os anos vindouros. Curioso e alheio aos debates é a falta de relatos de como andam as buscas para a reposição daquelas importâncias que se encontram esquecidas nos cofres de grandes empresas que não cumpriram seus compromissos. Segundo a CPI conclusa em 2017², os devedores -na ordem de 450 bilhões- entre as 500 maiores instituições estavam pendentes contra um déficit em torno de 250 bilhões. Segundo Rodrigues, [...] ‘o Poder Executivo desenha(va)-grifo meu- um futuro aterrorizante e totalmente inverossímil sugerindo acabar com a previdência pública e criar um campo para atuação das empresas privadas’. RODRIGUES, (2018).
Além das empresas citadas, há outro segmento (entre tantos) que também ostenta grandes rombos para com a Previdência - os grandes clubes de futebol³- com um montante aproximado de 800 milhões. Entre eles se encontram aqueles que detêm os maiores salários com seus colaboradores, que têm uma fonte segura de arrecadação e um complexo sistema de divulgação envolvendo todas as formas de mídias cativando um público fiel para com o seu produto; público esse que, a cada inovação legislativa vê seu futuro cada vez mais incerto. ALCANTRA, (2017)
Há segmentos jornalísticos que descrevem futuras ações governamentais aguardando a Reforma em discussão, e de que o governo vai fechar o cerco contra os devedores contumazes*. Segundo o Caderno Economia do Correio Brasiliense, com matéria creditada à Agencia Estado do dia 27/02/2019, afirmava que “há projetos que virão ao encalço das Reformas em tramitação buscando recuperar os valores em atraso com acordos e punições às grandes devedoras”. Será, então, uma retomada com o ocorrido no início dos anos 90, do s.p., quando a advogada Jorgina de Freitas foi acusada, condenada, tendo seus bens confiscados e sendo considerada a maior fraudadora da Previdência Social. É o que se espera. Como é noticiado nas grandes mídias, dá-se a entender que, no momento, o alvo principal da Reforma é a classe média-operária, rural, microempresários, os pensionistas e aposentados...  
Nos próximos dias, entre sessões extras e muita discussão, o debate prossegue. Em seu contexto, há a presença de atos populistas, concessões de obras encalhadas, enxurradas de compartilhamentos em mídias socias de prós e contras, e todos prometendo que o feito, se aprovado, irá sanar a ferida exposta; entretanto, a postura dos líderes deixa a desejar se realmente querem curar a ulcera ou se apenas cobri-la com uma gaze para mantê-la latejante. O imenso rol de entidades devedoras da Previdência que o diga².
Noticiou-se, também, de que o Projeto tem (ou teria) o nome fantasia de Pente Fino, mas há controvérsias. O pente fino era um instrumento muito conhecido pela a sua utilização, nos cabelos malcuidados, visando eliminar os filhotes das muquiranas que se instalavam no couro cabeludo desprovidos de higiene. Os estreitos espaços entre os dentes facilitavam as retiradas das lêndeas e larvas que não eram visíveis aos olhos dos “catadores”. Com a contenção das notícias nas mídias influentes, o “pente fino” do Planalto atua de forma oposta. A ação do pente arrancava fios de cabelos soltos, muquiranas, células e sujeiras que se prendiam em seus dentes; a Reforma Previdenciária, (a grosso modo) aparenta caçar as lêndeas e larvas, mas poupando os ácaros mortos (massas falidas), os piolhos saudáveis e a cabeleira suja.   
Referências.
1VALENTE, Gabriela. O Globo Economia. 27/02/2019 - 15:43 / Atualizado em 28/02/2019 - 07:23 Disponível em https://oglobo.globo.com/economia/rombo-da-previdencia-sera-de-309-bilhoes-em-2019-preve-governo-23485687
2 RODRIGUES, Edson- Agência Estado. | 23/10/2017, 19h51 - ATUALIZADO EM 01/03/2018,14h22 Disponível em:  https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2017/10/23/empresas-privadas-devem-r-450-bilhoes-a-previdencia-mostra-relatorio-final-da-cpi
3 ALCÂNTARA, Rodrigo. SPFC Notícias. 20 clubes com maiores dívidas na Previdência Social 12/04/2017 . Disponível em: http://spfcnoticias.com/20-clubes-com-maiores-dividas-na-previdencia-social/






MÁSCARA TRANSPARENTE



Onde quer que você vá, sempre haverá alguma mensagem exposta. Outdoors, fachadas de lojas, adesivos em carros, luminosos... Mensagens mudas que, aos poucos, vão ocupando espaço no subconsciente de quem as observa. Outras formas de comunicação, também silenciosa, são comuns no dia-a-dia. O jeito de se vestir, de andar, o corte dos cabelos. Atos e gestos espontâneos que situam o indivíduo em sua classe social e evidenciam o contexto, cômico ou dramático, em que vive. Assim, o caráter equilibrado e a simpatia, são virtudes adquiridas na boa convivência com os demais; já o aspecto rancoroso, mostra o lado contrariado que a educação e os hábitos diários não conseguem disfarçar. Da mesma forma, o riso fácil, pode ser sinal de altruísmo ou malandragem: só uma análise acurada poderá desmistificar. Inconsciente do que representam, passeiam os conservadores, os clássicos, os metódicos, os provocantes, os humildes e também os ingênuos, protegidos pela exagerada simplicidade. Os traços físicos relatam a origem; os gestos mímicos traduzem a porção oculta que as palavras não conseguem personificar. A estrutura física, por si, demonstra a idade aproximada e os traços de cada sexo. Porém, o lado teatral camufla os vícios, a ansiedade, imperfeições físicas e emocionais, a dura realidade que só os momentos de solidão e o espelho do banheiro retratam. Vestido dessa máscara, lá vai o povo com a sua dramaticidade peculiar em suas andanças. Em contrapartida, a sociedade, analisando sua postura e atitudes, poderá enaltecê-lo ou “despi-lo” em plena rua. Em suma, onde quer que se vá, direta ou indiretamente, o mundo lhe fala. Basta entendê-lo!


















sexta-feira, 31 de maio de 2019

A sinfônica.

Não importa a diferencialibidade dos mais estranhos e exótico instrumentos, na orquestra tudo se encaixa.
      O silêncio se impõe de forma inquietante. Instintivamente ela se eleva e traça no ar movimentos compassados e de forma ininterrupta. Ela, a batuta, com sua aparência franzina é enérgica! No seu vai e vem, convoca a cada instrumento ordenando sua entrada ou saída de cena. Assim, todos os metais, por ordem são chamados e, mesmo com seu tom estridente, não se impõem sobre o coro virginal oriundo das cordas. Igualmente, o baixo tuba e os tambores se respeitam. Juntos, criam uns sons harmoniosos, envolventes. Não importa a diferencialibidade dos mais estranhos e exóticos instrumentos, na orquestra tudo se encaixa. Se juntos executarem grupos de pianos, corais de centenas a milhares de vozes, tudo sairá uníssono. Em seu momento, a sutil flauta faz frente às sopranos, aos tenores e, até mesmo ao poderoso gongo japonês. Em tudo há cadência, pois, embora diferenciados entre si, os graves, contraltos ou aveludados, seguem pela mesma trilha da partitura que, com suas poucas linhas, permite breves escapadas, mas nunca o seu total desprendimento. Agindo dessa forma, têm suas sonoridades respeitadas, portanto; se grandes ou pequenos, seguem pela mesma estrada. Ordeiramente vagam pela breve, semibreve até as semifusas em compassos certeiros sob a regência da implacável e dinâmica batuta. As “fusas” exigem dos instrumentistas muita agilidade; são como crianças saudáveis que recreiam pelas ruas. As “colcheias” se assemelham aos adultos que ponteiam a harmonia; as “breves”, lembram o lado metódico da população. Todo o conjunto forma um evento singular que embala os sonhadores. As peças se alteram: clássicas, dramáticas, as sonatas.
   
 A perfeição do sincronismo musical se dá em virtude da rígida marcação e da interpretação das notas e escalas pelos músicos. Por trás de cada peça, há um ser humano dando vida aos símbolos musicais. É o cérebro o conversor dos sinais em sons e, através deles, os gráficos determinam os movimentos dos dedos nas cordas ou nos teclados; das mãos hábeis nas baquetas ou na batuta que os rege com todo o vigor.
   
 Agora, convenhamos. Se por trás de cada instrumento há pessoas e, se parte delas a execução afinada da sinfonia; então, porque na vida real o mesmo não sucede? Se os músicos estudam durante a infância para que, quando adulto, possam ocupar um lugar de destaque na orquestra; mas as pessoas treinam a vida inteira para se harmonizarem! Têm sua Carta Magna e elegem seus regentes aos quais por si se submetem a todos os tipos de exploração. São talentos dignos de grandes peças, mas se fazem inúteis diante incontáveis momentos inglórios originando um imenso submundo explorado indignamente. Formam uma orquestra apática num concerto desafinado. Mas, afinal, na sinfônica humana, quem desafina?...São os “músicos” ou os “regentes”?

Publicado no Jornal A Notícia /11/02