quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

A Rua Armindo Soares de Campos está interditada.



Como já era previsto, bastou uma chuva mais acentuada para que as rochas presas no barranco viessem abaixo. Nesta noite, toda a quela camada de rochas (entre setas) vieram abaixo invadindo a rua. A interdição da estrada na altura do nº. 130, embora possa ser remediada, impede a passagem de carros, mas permite as idas e vindas de motos e ciclistas. O contato com o Bairro da Barra a adjacência está prejudicado. Felizmente, por enquanto, não houve deslizamento sobre as casas próximas, mas com a fragilidade do solo encharcado, as próximas horas causa apreensão.   
Foto snascimento.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Rolam as pedras.



Há tempos que eu venho alertando sobre a real possibilidade de uma grande queda de barreira no início da Rua Armindo Soares de Campos, na altura do nº. 130, aproximadamente. Em contrapartida -e para a felicidade geral-, as chuvas que se precipitaram nos verões passados não atingiram aquela área e, somado a um desvio feito da enxurrada que desceu pela mesma rua, as pedras encrustadas no barranco permaneceram lá. Agora, neste inicio de 2019, as chuvas com maior intensidade vieram e, bastou um volume um pouco mais acentuado e a presença de trovões para que  as primeira rochas vieram abaixo. 


Vale lembrar que com o fim aquele desvio feito um pouco acima e que desviava parte da enchente vindo das montanhas - uns 800 metros- canalizou todo o aguaceiro até o fim de mencionada rua alargando de forma imprevista as valas e descalçando todo o barranco. As próximas chuvas será determinante para a manutenção daquele trecho de estrada e, se os homens não fizerem a sua parte, a Natureza, certamente, fará!

Fotos: snascimento.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Rio Tietê. (Conto)

In natura.
Tucano- Google.
Há quem diga que sou uma dádiva, um encanto, um mistério. De fato, sou fruto da relação entre o sol e o mar; gerei-me em vapor, elevei-me ao ar, a brisa me transportou e lá, nas encostas da serra, no ventre da terra, o sopro da vida se apossou de mim. Sou menino franzino a engatinhar por entre as folhas secas, em alegre folguedo, deslizo pela grota. Na inocência da infância sou contagiado pelo clima silvestre que rodeia o meu caminhar. No vale encantado, onde a Natureza impera, vou seguindo a trilha. Um lugar paradisíaco em que as abelhas disputam as flores com os colibris apressados enquanto o bem-te-vi observa ao longe. O berço protegido pelos biris, chapéus-de-couro e os cerrados não ocultam o ipê que guarda suas pétalas para expô-las na primavera. Tatus-mirins saem de suas tocas e se alimentam no sauveiro. Passo despercebido pelas ramadas onde o guaxinim vigia a jararaca que se arrasta sorrateira no encalço de pequenas rãs e ninhos de camundongos. Há jogos de sedução e até lutas violentas em toda a fauna. São regras do jogo da vida, das quais, nenhum ser vivo é excluído. Assim, a borboleta cobre de inveja às mariposas que preferem fazer suas revoadas à noite. Da mesma forma, os morcegos repousam de dia enquanto as andorinhas e os sabiás varrem o planalto serrano. Ainda oculto pelas matas, recebo outras vertentes e, juntos, ganhamos força para romper o pântano do qual o “João” recolhe o barro para fazer sua casa. Já na puberdade e cheio de vida, posso ver o sol que irrompe nas capituvas e erva-de-bicho que protegem meu leito. Sombreado pela ingazeira, o tucum protege seus frutos com espinhos pontiagudos ao passo que um bando de tucanos barulhentos, desperta a coruja sonolenta na fenda da velha, imensa e calada paineira, vizinha ao eucaliptal.
Jararaca- Google
Já se foram alguns quilômetros entre as vegetações. Chegou o momento de sair da “casca” e enfrentar os campos abertos.
Liberdade.
Ciente de que toda cria é gerada para o mundo, o olhar apreensivo da mãe Natureza vê-me como um alegre menino a saltitar pela cachoeira adentrando ao vale côncavo onde o horizonte se mostra mais próximo. Ouve-se, ao longe, o cantar da seriema, entrecortado pelo pica-pau com seu potente “martelo” a perfurar as imbaúbas na incansável busca por insetos. Nas manhãs ensolaradas, no final do outono e início do inverno, quando os ares são mais claros e a vegetação mais verde, nota-se grande revoada de garças, socós e martins - pescadores enquanto que, no banhado, frangos d’água emitem seus cantos estridentes sobrepondo-se ao da jaçanã que corre por entre os arbustos. Não muito longe, na sombra das árvores, o gado bovino repousa e faz seu “repasse”. Entre tanta singeleza, eis que surge a caboclinha faceira. Traz a mala de roupas e sabão de cinza. Antes de iniciar o trabalho, aproveita a pureza do manancial que lhe reflete a imagem; lentamente ajeita as tranças de cabelos longos, esboça um sorriso tímido em que os lábios volumosos embelezam ainda mais a tez morena,já o brilho dos olhos ligeiros oculta sonhos que só ela conhece.
Lambari- Google
O declive acentuado faz o meu deslizar mais agressivo e adentro com ímpeto a barroca aonde encontro novos amigos que se tornam meus “afluentes”. Formamos, ali, uma unidade num só objetivo: desbravar o desconhecido. Sou guerreiro a alargar as barrancas que reprimem o meu leito. Quando a noite é silenciosa, ouço os corais extasiados de grilos “desafinados” e a sinfonia de sapos. Vejo a via-láctea, as estrelas cadentes e a lua que, como as emoções, se renova. Na época das águas, as enchentes fazem-me expandir pelas margens formando lagoas e remansos, atraindo curiosos e mentirosos pescadores, 
Tilápia - Google
capazes de transformar um “enrosco” em imponente caso de pescaria. Nesse estágio, atraio também os pacíficos agricultores que buscam as planícies para implantarem cultivos. Em resposta, as hortaliças se tornam abundantes para o regozijo dos olhos puxados que as administram. Ainda a integração Homem-Natureza caminha lado a lado.
A pão e água.
Começo a adentrar ao primeiro centro urbano e a visão que tenho não me agrada. O menino que se ocultava no berço de folhas mortas, cresceu. Como adulto, sou levado a novas aventuras e passo a enfrentar novos obstáculos.  A concentração urbana é desordenada. A busca por melhores dias, mais conforto, faz com que as pessoas prefiram as cidades, o que contribui para a minha ruína. O meu deslizar ficou mais lento e, se antes a população era rarefeita, agora se transformou numa grande comunidade. Com as aglomerações, vêm às indústrias e, com elas, o limbo, os ácidos, as resinas e os dejetos concentrados dos esgotos. A pobreza urbana é incomparável. Se os caboclos da zona rural vivem espalhados pelos campos, providos de imensa simplicidade, creditam ao infinito seus sonhos e esperam com dignidade a sua realização, o oposto ocorre com os metropolitanos. Bombardeados de estímulos pelo consumismo, pelos excessos e pela promiscuidade, tornam-se marginalizados, povoam os lixões e se amontoam em barracos destruindo as matas nativas que me protegiam. Das desigualdades sociais originaram as favelas que se estendem por todos os lados. Atordoado pelo barulho infernal vindo da metrópole carrego os gemidos de um povo que se destrói dia-a-dia. Ouço os soluços de famílias miseráveis, todas as noites, vindo das palafitas ao meu redor. Se antes a serração pousava delicadamente sobre as matas, hoje, o que se tem, é uma nuvem formada por gases tóxicos. A poluição rouba a minha saúde, meu oxigênio e aniquila as algas que cuidam da minha pureza. A busca pelo desconhecido me levou a trocar a selva nativa pela de concreto onde acabei envolto por entulhos não recicláveis. Sou uma vida vazia a perambular pelas margens da grande cidade. A longa caminhada, no entanto, levou-me ao encontro de outras importantes vertentes. Com origens semelhantes a minha, deixaram seu habitat na missão obrigatória de percorrer os declives naturais e, hoje, iguais a mim e com as mesmas dificuldades, nos unimos e formamos uma comunidade. Parte de nosso passado foi temporariamente esquecido. A união de vários córregos e vertentes tornou-se num único e caudaloso rio. Juntos, somos mais fortes, mas ainda frágeis diante das atrocidades humanas. Seus cidadãos vivem encabrestados por clãs que lhes traçam os destinos. Comem por suas mãos e rastejam mediante seus chamados. Os sonhos individuais já se foram. Não há esperanças com relação ao futuro, pois, para tal devaneio, é necessária a manutenção plena da biodiversidade. A cultura humana não concebe tamanha grandeza. Sua conduta é voltada para si e seus caprichos. Veja o nosso exemplo: despontamos nas serras e caminhamos pelos vales. Em nosso trajeto, levamos a vida em abundância a todos os seres ribeirinhos e o que lucramos?.. Maus tratos?... Abandono?...Num passado não muito remoto, nos fins de semana abrigávamos as canoadas, as competições esportivas. Hoje, vivemos como mendigos inundados pela decomposição de restos alimentares; cegos, pois não refletimos a lua nem as estrelas, ou a aurora. Semimortos, a vida aquática que caminha conosco se fez doente. Com a obstrução de nossa via de trajeto, a enchente nos expande, então mostramos a nossa ira invadindo casebres, as mansões, as marginais. Travamos uma luta inglória. A cada prejuízo que causamos, é caso de ascensão política, motivo para a busca de capitais no exterior que irá patrocinar grupos que se dizem amantes da Natureza, mas que pouco fazem pela fonte natural da vida.
Consenso.
Sobrevivemos ao caos urbano. Atravessamos a pior parte de nossa jornada. Procuramos nos refazer ao estrago que sofremos, contudo, não haverá tempo suficiente para a nossa total recuperação. Jamais voltaremos à pureza da infância, à curiosidade da puberdade, cobertos que estamos das marcas que o destino nos deixou. Restam muitos quilômetros para concluirmos a viagem, mas estamos cansados. A sociedade envelheceu, nosso vagar é lento. Resta em nós a lembrança do canto da cigarra que, no verão, se “arrebentava” de tanto cantar. Da criança que engatinhava nas vertentes ou que saltitava nas cachoeiras. Não temos mais o corpo esbelto da adolescência, nem o tipo viril que alargava as barrancas. Não há grandes florestas nativas, o verde que temos são lavouras temporárias em nossas margens. O desconhecido, que era sonho, virou uma realidade sem alarde. Não fizemos os nossos destinos e sim seguimos pelas trilhas tortuosas que ele nos traçou e com passagem só de ida.  Próximo à reta final, a construção dos açudes deixou nosso corpo deformado; estamos vivos, mas fora de 
Barcaça- Google
forma. Perdemos as linhas esguias da juventude e a força desbravadora dos adolescentes. Não se ouve mais o som monótono da garoa se espalhando pelos cafezais e nem se vê as danças harmoniosas dos tangarás nas galhadas. A paisagem que inspirava poema lírico deu lugar às lanchas e ao esqui aquático. Resta a lembrança dos grandes amigos “afluentes”. O rio das Monções, a estrada que transportava o Bandeirante, hoje embala os casais enamorados em suas descobertas. Somos a via que sustenta as barcaças, o leito que abriga os peixes, a fonte que irriga as plantações. Prevalecem os alarmantes pescadores; o fio dental e o “top less” afastaram a garota sonhadora, charmosa e humilde. Mas nem tudo é tristeza. A caminhada elevou meu nome, o mundo conhece minha história e as gerações futuras hão de conhecer-me. Entre tantos, esbanjo notoriedade.
É o consolo daquele que nasceu, cresceu e se integrou numa sociedade, assim como você; porém, meu infinito é o mar...Sou o Tietê!

Imagens- Google.
C/cirodovalle-95-00-06-14

(Tietê é parte integrante de Sátiras - FBN 1995.)

Terra das Águas (Salesópolis.)



Para acessar, clic no link abaixo.
https://pt.calameo.com/read/0037326568b925bb2ede7










sexta-feira, 28 de setembro de 2018

A um passo atrás.

Durante as últimas décadas a ciência evoluiu de forma considerável. Tudo o que parecia impossível vem encontrando explicação e as soluções - totais ou parciais - acontecem.

Do clipe ou da caneta tinteiro - sonho de consumo em seus dias-, ninguém se lembra; há menos tempo, o fac-símile, que foi o “boom” dos anos noventa é sufocado pelo e-mail assim como as correspondências via-papel que perduravam desde os pombos-correios.
Muitos avanços vieram e, segundo os descobridores, elas são para beneficiar o homem. Mas houve outras melhorias que não têm a mesma difusão entre a humanidade. O motor a explosão e a energia elétrica muitos ainda desconhecem. Outro feito catastrófico é o progresso da ciência militar. Adaptada a tanques e a aviões, nos anos sombrios ganhou versão teleguiada e o conhecimento humano desenvolveu verdadeiros flagelos. O capitalismo desenfreado, as disputas por poder, a quebra de tabus abriram novos horizontes científicos. Por outro lado, os feitos cobram da humanidade adaptações racionais que elas não conseguem assimilar.
A ciência avança entre as tribos indígenas, mas não é corriqueira nas favelas e guetos. Também é questionável o tempo em que ela gasta para dar suporte. Da máquina de escrever ao teclado foi uma eternidade; das experiências dos irmãos Lumière a fita VHS, ou do gramofone ao CD, foi de quase um século. A Aids se alojou a mais de trinta anos diante de sua cura. Outros anos foram necessários para erradicação da febre amarela, da paralisia infantil e, porque não dizer do câncer com sua diversidade que ainda é uma moléstia desconhecida. Contudo ainda persiste a dengue.
Hoje, quando se levanta, basta olhar os e-mails ou as notícias que os portais resumem para se ter uma ideia do que acontece no mundo. Reuniões em outras cidades? Com um simples toque as salas se juntam e em videoconferência tudo se resume. Se estiver em trânsito, têm-se o telefone celular-sonho das décadas passadas, que a realidade o tornou essencial nas nossas vidas.
No entanto, amparados por tantos avanços, surgem pessoas estressadas, vítimas de insônia, atrasadas, carecendo cada vez mais de carros mais velozes, apetrechos tecnológicos (Palmtop, notebooks, pen drives, webcam, internet) de última geração para suportar a corrida diária, numa luta desesperada como se o dia tivesse 16 horas apenas.
Com o pretexto de que todo o avanço tecnológico está à disposição do homem, milhões são gastos diariamente em tecnologia que apenas corrige e não antecipa os fatos. As esperadas conquistas chegam quase sempre atrás dos sinais dos tempos, esse intransigente coordenador que manipula as pessoas como peças num tabuleiro causando-lhes quedas, perdas e conquistas inesperadas. Nesse embate muito se afirma, mas o certo é que nenhuma técnica, credo ou ciência convence de que a culta raça humana é capaz de gerir-se a si própria, e as conquistas, na verdade, são arranjos para corrigirem distúrbios que a sabedoria é incapaz de antever.

         Ciro do Valle 04/08/2010).
                                                      Comentário.
         05/08/2010 08:12 - Od L Aremse M Peterson     recantodasletras.com.br

É isso! Há um passo atrás, isso tudo ocorreu, mas a um passo À frente, tudo pode passar num piscar de olhos! Avizinhamo-nos de um fim trágico e apocalíptico, graças ao 'non sense' do homem moderno. Apesar de racionais, sem depreciar os animais, agem irracionalmente. Estes mostram mais racionalidade quando demonstram seu zelo por seu habitat e lutam em favor do grupo e, instintivamente, lutam pela sobrevivência e permanência no planeta. Como Cristão, creio que isto é o cumprimento das Escrituras e que o Senhor não tarda. Deus o abençoe! Parabéns por excelente texto. Aguardo sua leitura e comentários..

domingo, 31 de dezembro de 2017

Expresso 2018.

Em meio às atribulações das ruas, José corria em direção à estação. O trem estava partindo e ele tentava alcançá-lo. Seus parentes, já embarcados, chamavam: - “Corre José! Largue essas bolsas e apresse o passo! Você vai perder o trem”!
google casseta.com.br
Desesperado, ele não via outra maneira de andar mais rápido. Trazia consigo muitas malas, contrário a tantos que só usavam a roupa do corpo. Mas ele não conseguia se desvencilhar delas e as arrastava pelas calçadas. O que ele transportava era algo pessoal, coisas íntimas que os melhores amigos condenavam e nada faziam para socorrê-lo.
O trem já estava estacionado e as pessoas, em grande contingente, iam se acomodando. Todos que chegavam encontravam lugar e a passagem era gratuita. Chegou a hora e a composição partiu. Ela tinha hora certa para sair, pois tem hora para chegar. Em meio a lamentos, José não pode embarcar.
Sozinho na plataforma, vendo que os últimos vagões sumiam na primeira curva, ele sentou e permaneceu em silêncio. Sentia-se desprezado, ignorado pelas amizades. Remoía as palavras da família para que ele abandonasse suas tralhas e alcançasse o trem. Tardiamente começou a examinar seus pertences e a separar o que era desnecessário para aquela viagem. Não demorou muito e a plataforma estava cheia de peças que não precisavam estar ali. Guardados seus, coisas pessoais em desuso; vestimentas fora de moda que por engano foram postas no baú. Cada uma tinha uma história e merecia ser preservada, mas salvar algo é útil quando isso não se torna um transtorno na vida, e aqueles pertences o fizeram perder a viagem.
Tomado pela emoção, decidiu a muito custo abandonar tudo aquilo que era um estorvo. Movido de impulso, separou o que era inútil enchendo as lixeiras do lugar. De todas as suas posses sobrou uma pequena bolsa de mão e ele, decidido a mudar de vida, voltou para casa.
Mais uma vez o final de ano chega e aquele trem estará de volta. No dia trinta e um de dezembro, a meia noite, ele parte. Não espera por ninguém, pois seu destino é inadiável. Por ser imaginário, ele comporta a todos que tiverem disposição, determinação; que forem solidários e preparados para uma aventura baseada em altos e baixos, expectativas e conquistas que serão concedidas a quem estiver na viagem. Estende-se pelas doze estações que o separa da partida e a chegada. Por ser um passeio, prático é nada levar além de malas para serem preenchidas. Enquanto a hora não chega, deve-se avaliar aquilo que se pretenda usar nessa turnê. Há tempo para que se abra mão do que é supérfluo, ver se sua bagagem não está repleta de coisas fúteis que impedem a sua integração ao grupo. Ignorância, omissão, imprudência, mesquinharia, são cargas emocionais que, fisicamente, não ocupam espaço, mas podem retardar qualquer avanço na confraternização universal. Portanto, para embarcar nessa viagem, basta desarmar o espírito, envolver-se pelo desejo de mudança e buscar pelo trem.
Na entrada do novo ano, o Expresso 2018 atracará e acomodará a todos aqueles que quiserem viver uma grande e promissora aventura. Para tal, basta que esteja preparado e na estação!

Boa viagem!

Publicado no ano de 2010, no jornal -A Notícia - de Salesópolis, e reeditado em outras ocasiões.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Um Papai Noel de verdade. (Homenagem póstuma)


É com pesar que comunico o falecimento do senhor Francisco Wuo, ocorrido hoje, pela manhã, em sua residência. Seu corpo está sendo velado no necrotério local.

Em sua memória, reedito a homenagem que fiz na época de sua condecoração de Emérito Cidadão Salesopolense, em 2007.

Um Papai Noel de verdade.

Vivemos no final do ano a euforia do Natal. Sempre foi assim. As propagandas criam uma atmosfera natalina que contagia a todos. É época de festas em que as mesas, mesmo nos lares mais humildes, são fartas. Data que se aproxima as pessoas, época de restabelecer a paz, as amizades e unir o que ficou pendente durante todo o ano.
Neste ano, (2007)porém, há mais um motivo para comemorar. O poder público local reconheceu o trabalho de um cidadão que há muito faz jus. Seu nome: Francisco Wuo, filho dileto desta terra que muito a honra com seu trabalho e dignidade.
É um ser privilegiado. O destino lhes reservou dádivas e responsabilidades equivalentes. Duas correntes sociais distintas contribuíram para tal. Seu pai, de origem finlandesa, trouxe da Europa o conhecimento científico, o gosto pela natureza, a liberdade e o respeito pelo semelhante; sua mãe era nativa do berço da sociabilidade característica, das tradições do lugar. Assim, teve uma educação de primeiro mundo e uma forte tendência às artes e a religiosidade; catalisando essas forças, fez-se um homem equilibrado, ao mesmo tempo lutador e ponderado, participativo e democrático.
De tantos feitos de “seu” Chico já publicados, enumerar outros tantos não significa o fim de uma história. Embora os números por ele apresentados sejam expressivos, seu trabalho ainda não encerrou.
A prova disso foi as tantas cestas de natal que ele arrecadou junto as seus colaboradores. Para centenas de lares da região, a presença de sua equipe é a certeza de que as bondades dos sentimentos ainda estão em moda. Contrário ao papai noel comercial, sua luta não se resume as vésperas do Natal, é permanente. Durante todo o ano sua presença foi requisitada na Conferencias Vicentinas, no Asilo, nas comunidades onde ele atua como Ministro da Eucaristia.
Compará-lo ao verdadeiro Papai Noel é justo perante as tantas ações humanas que ele fez no decorrer do ano e de sua vida. Dotado de imensa riqueza espiritual, de discernimento, compreende a inocência, os entraves da política e traduz em palavras mais de um século de história. Traja a elegância do primeiro mundo, mas se rende diante da humildade da região. Dos nórdicos ele tem a cor da pele que é a mesma do cerne centenário que não se rende à ação do tempo. Tem os cabelos brancos que a sabedoria dos longos e proveitosos anos descoloriu. Homem de muitas palavras, usa sempre um adjetivo para caracterizar determinado acontecimento. Quando discorda, o faz de forma branda, sensata.
Por ter sido atuante em muitos segmentos do município, é capaz de opinar sobre qualquer tema. É um dos homens mais respeitados (senão o mais conhecido) da região. Em todos os recantos, basta que ele chegue para que todos o saúdem. Peso pesado na política, marco definitivo na sociedade, atravessa o ano sempre aberto a novas ideias.
Os desafios foram tantos, mas ele os transformou em vitórias.
Protagoniza, ao lado da senhora Aparecida Freire Wuo, uma exemplar história de amor, com perseverança, lutas e muitas glórias. Criaram dez filhos, educaram-nos e veem seus netos seguirem os mesmos caminhos.
O título de cidadão Honorário ao senhor Francisco Wuo é uma comenda merecida, outorgada tardiamente a um salesopolense de destaque que, definitivamente, entrou para a história.




“Por certo que não lhes deixarei bens materiais, mas deixo a vocês, meus filhos, a maior riqueza que um pai deve desejar deixar: a educação. ”  Francisco Wuo (01/05/1919-25/12/2017)