Parabéns aos nossos professores. Pessoas que abraçaram a dura arte de ensinar e a fizeram com esmero. Aqueles que nos acolheram numa época em que perdíamos em ideias, e fizeram de nossa educação o seu ideal.
TEMAS VARIADOS: opinião, meio ambiente, politica, relacionamento humano, homenagens, sem a intenção de provocar polêmica.
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
domingo, 12 de outubro de 2014
Resíduos.
Uma das
diferenças entre os homens e os animais está nos resíduos. O lixo animal é
absorvido pela Natureza em poucos dias; o lixo deixado pelos humanos pode levar
décadas.
Um exemplo:
a eleição foi na semana passada e ainda há muito lixo espalhado pelas ruas nas
regiões afastada do centro. Se fosse restos dos animais já estariam reciclados.
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Aula prática.
Era sábado cedo, e amigos do Patrick se reuniam. Alunos de primeira
série se juntaram para soltarem pipas. Já haviam feito isso antes, mas, em
separado.
O mês de julho no hemisfério sul tem os dias curtos, e naquela manhã
eles se achavam num local descampado. Preferiam brincar no pátio da escola, ou
na avenida, mas os pais alegavam perigo no fio elétrico.
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Chegou o Clayton de gorro amarelo-creme com uma bola de lã na cabeça -
parecia um sorvete-; o pai do Lê é barrigudo e careca - ele não usava nada na
cabeça, mas tinha um cachecol. Quim, filho do camponês também não veio, nem o
Nino, filho do marceneiro; vai que eles não têm conta na papelaria. Era só chegar
pegar e marcar...
Tinha pipa de origem chinesa, japonesa, com grandes rabiolas ou sem
nada.
Havia serração e as crianças, bocejando, esperavam. Por último, o sol
foi se levantando, vermelho, inchado - não são só os olhos das crianças que ficam
assim quando saem da cama-, mas cadê ele? O vento não veio. Ansiosos, alguns
ensaiavam corridas com suas estrelas. Todos estão prontos, sonolentos, mas a
energia invisível que faz as pipas e as árvores ricochetearem faltou ao
encontro. Os brinquedos estavam estáticos. No ar elas são poderosa, imponentes;
mas quando se veem no chão, são inofensivas. Diferenciam-se pelos tamanhos, mas
se igualam na incapacidade de expor a sua beleza, o seu poder. Sem a ação invisível
do vento elas são peças caras em desuso.
O sol foi recobrando sua aparência e se tornando quente. Enquanto
esperam, alguém convidou a todos para um chocolate na padaria. Contrariados com
seus papagaios nas mãos, alguns se revoltavam, choravam, mas se entreteceram
pelos doces que havia na vitrine da panificadora. Desiludidos pelo fracasso das
pipas, viam-se reunidos num local diferente da sala de aula, sem o mando de
professores e com total liberdade.
Viram que pessoas compravam pães, café, açúcar, adoçantes. Ainda é cedo,
mas as crianças de cor negra não usam agasalhos; será que elas não sentem frio?
Nas proximidades do descampado, há pessoas ao relento, adormecidas... Porque
será que elas não foram pra casa?
Outro fato que os amigos de Patrick notaram é que as pessoas, as casas e
os carros, na medida em que vai se afastando do centro, vão se tornando mais
simples, a rua é esburacada. Aquelas roupas que estão à venda nos brechós e
feiras de usados invadem a periferia. Isso explica os modelos que a Conceição,
colega de classe, usa. Dançam o funk, o
sertanejo; as meninas usam roupas justas; há aqueles que têm tatuagens, brincos
e piercings em partes do corpo. Será que não dói?...
Abismados com o choque dos costumes se encurralam próximos dos pais
enquanto as crianças da redondeza, vendo as pipas, vão chegando, rodeando e se
apoderando delas. Falam do cerol que eles usam, o mesmo que a professora vive
dizendo que é perigoso. Vendo o interesse daqueles pequenos pelos brinquedos,
um dos pais sugeriu que fossem doados àqueles garotos; eles os receberam e
saíram invadindo a rua e o trânsito.
O ambiente se torna tenso. Alegando que o sol estava forte, que era a
hora de ir embora, os colegas vão saindo.
Tiveram uma aula prática de vida e, embora não entendam o ocorrido ou o
que o futuro lhes reserva, os momentos contrastantes que conheceram é só um
exemplo do paradoxo social com o qual eles terão de conviver.
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Solo fértil.
A mente humana é um terreno fértil. Tudo o que
se planta vinga! E tudo o que se alimenta, cresce! Pode ser amor, ódio,
violência ou devassidão. Esse solo fecundo tudo aceita!
A mente humana é um terreno fértil. Tudo o que
se planta vinga! E tudo o que se alimenta, cresce! Pode ser amor, ódio,
violência ou devassidão. Esse solo fecundo tudo aceita!
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
A Sinfônica.
O silêncio se impõe de forma inquietante.
Instintivamente ela se eleva e traça no ar movimentos compassado e de forma
ininterrupta. Ela, a batuta, com sua aparência franzina é enérgica! No seu vai
e vem, convoca a cada instrumento ordenando sua entrada ou saída de cena.
Assim, todos os metais, por ordem são chamados e, mesmo com seu tom estridente,
não se impõem sobre o coro virginal oriundo das cordas. Igualmente, o baixo
tuba e os tambores se respeitam. Juntos, criam uns sons harmoniosos, envolventes.
Não importa a diferencialibidade dos mais estranhos e exóticos instrumentos, na
orquestra tudo se encaixa. Se executarem grupos de pianos, corais de centenas a
milhares de vozes, tudo sairá uníssono. Em seu momento, a sutil flauta faz frente
às sopranos, aos tenores e, até mesmo ao poderoso gongo japonês. Em tudo há
cadência, pois, embora diferenciados entre si, os graves, contraltos ou
aveludados, seguem pela mesma trilha da partitura que, com suas poucas linhas,
permite breves escapadas, mas nunca o seu total desprendimento. Agindo dessa
forma, têm suas sonoridades respeitadas, portanto; se grandes ou pequenos,
seguem pela mesma estrada. Ordeiramente vagam pela breve, semibreve até as semifusas
em compassos certeiros sob a regência da implacável e dinâmica batuta. As “fusas”
exigem dos instrumentistas muita
agilidade; são como crianças saudáveis
que recreiam pelas ruas. As “colcheias”
se assemelham aos adultos que ponteiam a harmonia; as “breves”, lembram o lado metódico da
população. Todo o conjunto forma um evento singular que embala os sonhadores.
As peças se alteram: clássicas, dramáticas, as sonatas. A perfeição do
sincronismo musical se dá em virtude da rígida marcação e da interpretação das
notas e escalas pelos músicos. Por trás de cada peça, há um ser humano dando
vida aos símbolos musicais. É o cérebro o conversor dos sinais em sons e,
através deles, os gráficos determinam os movimentos dos dedos nas cordas ou nos
teclados; das mãos hábeis nas baquetas ou na batuta que os rege com todo o
vigor.
Agora, convenhamos. Se por trás de cada
instrumento há pessoas e, se parte delas a execução afinada da sinfonia; então,
porque na vida real o mesmo não sucede? Se os músicos estudam durante a
infância para que, quando adulto, possam ocupar um lugar de destaque na
orquestra; mas as pessoas treinam a vida inteira para se harmonizarem! Têm sua
Carta Magna e elegem seus regentes, aos quais por si se submetem a todos os
tipos de exploração. São talentos dignos de grandes peças, mas se fazem inúteis
diante incontáveis momentos inglórios originando um imenso submundo explorado
indignamente. Formam uma orquestra apática num concerto desafinado. Mas,
afinal, na sinfônica humana, quem desafina?...São os “músicos” ou os
“regentes”?
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
Os dois lados da moeda.
O fantástico mundo da ilusão está
à disposição de todos. A qualquer hora vemos, por entre as nuvens, grupos de
pessoas que voam alegremente; da mesma forma, na terra, bandos de gatos fazem
cabos de guerra com pitibuls. Veem-se borboletas conversando com as flores, uma
manada de leões aplaudindo o desfilar de saudáveis gazelas. O incrível mundo
onde os animais se confraternizam insiste que, nele, o beijo é técnico e as
insinuações sexuais, também.
A televisão, com pouco mais de oitenta
anos de existência, ocupa um espaço impensado pelos homens que a inventaram. Gera ilusões; é
educativa e, ao mesmo tempo, dispersiva. Sendo fruto do capitalismo, qualquer
minuto pode valer milhões. É penetrante; seus anúncios, mesmos os mais
absurdos, vão aos poucos se enraizando nas mentes estressadas transformando o
indigesto em elegante, o cafona em moda. Por estar diretamente ligada ao
consumidor traz sempre novidades. Tornou-se informante de verdades e
inverdades; é capaz de mergulhar nos abismos oceânicos trazendo à tona animais
que jamais viram a luz solar. É capaz de mostrar um óvulo se desprendendo do
ovário; as veias internas, os canais do sistema digestivo. Por estar ligada à
base exploratória da opinião pública, vive criando furos jornalísticos e ocultando
vexames políticos. Nos horários vespertinos exploram a miséria em busca de
audiência; cultua o ridículo, o tacanho em busca de debates. Nos programas “chamados
populares” exibem “gatos e gatas sarados”, de “cabeças vazias” estimulando o lado
sensual que a humildade tem em abundância: a imaginação fértil para assimilarem
os modelos talhados pelos clérigos, os noveleiros e poetas, transformando
instintos reprodutivos em amor com os mais diversos adjetivos. É um veículo
contraditório; por um lado traz cultura, por outro, o estímulo à violência como
entretenimento. Mistifica assuntos banais, mas é a desvendadora de mistério e
tabus. Seus refletores aceleram processos, faz recuar o político oportunista, porém,
é retaliatória, direcionando os melhores programas aos canais fechados,
indiretamente, alimentando a divisão social. Sua imponência a capacita a fazer
o bem a toda à humanidade, contudo, seus diretores preferem louvar a desgraça
do agreste a cobrar da elite providências para salvar aquele povo. No fim de
noite, por exemplo, mostra em cadeia nacional o teatro encenado pelos políticos,
com seus coadjuvantes, e o humor bestializado dos tiriricas da vida. É a fonte preparada
para publicar os feitos e as mazelas do mundo, no entanto, nas eleições, investe
nas pesquisas; indiretamente, induzindo os eleitores a apoiarem seus
interesses. É um veículo que cumpre a sua função e, pelo avanço conquistado,
mostra que traduz a exata aspiração de seus povos. Faz coisas glamorosas, mas
peca pelo excesso de ilusão.
Sendo obra humana, justificam-se
tais imperfeições. Pudera. Afinal, vivemos num mundo onde cães, gatos, leões e
antílopes são inimigos naturais.
(A tv é) “Um monstro na
frente do qual as pessoas irão desperdiçar sua vida”.
Philo Farnsworth (1906-1971),
reconhecido como o autor da televisão. Revista
Superinteressante – 11/1999.
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