terça-feira, 23 de setembro de 2014

Sabedoria.

Para quem desconhece os fatos, Deus dá a fé; para quem desconhece a fé, Ele dá os fatos.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Tietê.

In natura.
Há quem diga que sou uma dádiva, um encanto, um mistério. De fato, sou fruto da relação entre o sol e o mar; gerei-me em vapor, elevei-me ao ar, a brisa me transportou e lá, nas encostas da serra, no ventre da terra, o sopro da vida se apossou de mim. Sou menino franzino a engatinhar por entre as folhas secas, em alegre folguedo, deslizo pela grota. Na inocência da infância sou contagiado pelo clima silvestre que rodeia o meu caminhar. No vale encantado, onde a Natureza impera, vou seguindo a trilha. Um lugar paradisíaco em que as abelhas disputam as flores com os colibris apressados enquanto o bem-te-vi observa ao longe. O berço protegido pelos biris, chapéus-de-couro e os cerrados não ocultam o ipê que guarda suas pétalas para expô-las na primavera. Tatus-mirins saem de suas tocas e se alimentam no sauveiro. Passo despercebido pelas ramadas onde o guaxinim vigia a jararaca que se arrasta sorrateira no encalço de pequenas rãs e ninhos de camundongos. Há jogos de sedução e até lutas violentas em toda a fauna. São regras do jogo da vida, das quais, nenhum ser vivo é excluído. Assim, a borboleta cobre de inveja às mariposas que preferem fazer suas revoadas à noite. Da mesma forma, os morcegos repousam de dia enquanto as andorinhas e os sabiás varrem o planalto serrano. Ainda oculto pelas matas, recebo outras vertentes e, juntos, ganhamos força para romper o pântano do qual o “João” recolhe o barro para fazer sua casa. Já na puberdade e cheio de vida, posso ver o sol que irrompe nas capituvas e erva-de-bicho que protegem meu leito. Sombreado pela ingazeira, o tucum protege seus frutos com espinhos pontiagudos ao passo que um bando de tucanos barulhentos, desperta a coruja sonolenta na fenda da velha, imensa e calada paineira, vizinha ao eucaliptal.
Já se foram alguns quilômetros entre as vegetações. Chegou o momento de sair da “casca” e enfrentar os campos abertos.
Liberdade.
Ciente de que toda cria é gerada para o mundo, o olhar apreensivo da mãe Natureza vê-me como um alegre menino a saltitar pela cachoeira adentrando ao vale côncavo onde o horizonte se mostra mais próximo. Ouve-se, ao longe, o cantar da seriema, entrecortado pelo pica-pau com seu potente “martelo” a perfurar as imbaúbas na incansável busca por insetos. Nas manhãs ensolaradas, no final do outono e início do inverno, quando os ares são mais claros e a vegetação mais verde, nota-se grande revoada de garças, socós e martins - pescadores enquanto que, no banhado, frangos d’água emitem seus cantos estridentes sobrepondo-se ao da jaçanã que corre por entre os arbustos. Não muito longe, na sombra das árvores, o gado bovino repousa e faz seu “repasse”. Entre tanta singeleza, eis que surge a caboclinha faceira. Traz a mala de roupas e sabão de cinza. Antes de iniciar o trabalho, aproveita a pureza do manancial que lhe reflete a imagem; lentamente ajeita as tranças de cabelos longos, esboça um sorriso tímido em que os lábios volumosos embelezam ainda mais a tez morena,já o brilho dos olhos ligeiros oculta sonhos que só ela conhece.
O declive acentuado faz o meu deslizar mais agressivo e adentro com ímpeto a barroca aonde encontro novos amigos que se tornam meus “afluentes”. Formamos, ali, uma unidade num só objetivo: desbravar o desconhecido. Sou guerreiro a alargar as barrancas que reprimem o meu leito. Quando a noite é silenciosa, ouço os corais extasiados de grilos “desafinados” e a sinfonia de sapos. Vejo a via-láctea, as estrelas cadentes e a lua que, como as emoções, se renova. Na época das águas, as enchentes fazem-me expandir pelas margens formando lagoas e remansos, atraindo curiosos e mentirosos pescadores, capazes de transformar um “enrosco” em imponente caso de pescaria. Nesse estágio, atraio também os pacíficos agricultores que buscam as planícies para implantarem cultivos. Em resposta, as hortaliças se tornam abundantes para o regozijo dos olhos puxados que as administram. Ainda a integração Homem-Natureza caminha lado a lado.
A pão e água.
Começo a adentrar ao primeiro centro urbano e a visão que tenho não me agrada. O menino que se ocultava no berço de folhas mortas, cresceu. Como adulto, sou levado a novas aventuras e passo a enfrentar novos obstáculos.  A concentração urbana é desordenada. A busca por melhores dias, mais conforto, faz com que as pessoas prefiram as cidades, o que contribui para a minha ruína. O meu deslizar ficou mais lento e, se antes a população era rarefeita, agora se transformou numa grande comunidade. Com as aglomerações, vêm às indústrias e, com elas, o limbo, os ácidos, as resinas e os dejetos concentrados dos esgotos. A pobreza urbana é incomparável. Se os caboclos da zona rural vivem espalhados pelos campos, providos de imensa simplicidade, creditam ao infinito seus sonhos e esperam com dignidade a sua realização, o oposto ocorre com os metropolitanos. Bombardeados de estímulos pelo consumismo, pelos excessos e pela promiscuidade, tornam-se marginalizados, povoam os lixões e se amontoam em barracos destruindo as matas nativas que me protegiam. Das desigualdades sociais originaram as favelas que se estendem por todos os lados. Atordoado pelo barulho infernal vindo da metrópole carrego os gemidos de um povo que se destrói dia-a-dia. Ouço os soluços de famílias miseráveis, todas as noites, vindo das palafitas ao meu redor. Se antes a serração pousava delicadamente sobre as matas, hoje, o que se tem, é uma nuvem formada por gases tóxicos. A poluição rouba a minha saúde, meu oxigênio e aniquila as algas que cuidam da minha pureza. A busca pelo desconhecido me levou a trocar a selva nativa pela de concreto onde acabei envolto por entulhos não recicláveis. Sou uma vida vazia a perambular pelas margens da grande cidade. A longa caminhada, no entanto, levou-me ao encontro de outras importantes vertentes. Com origens semelhantes a minha, deixaram seu habitat na missão obrigatória de percorrer os declives naturais e, hoje, iguais a mim e com as mesmas dificuldades, nos unimos e formamos uma comunidade. Parte de nosso passado foi temporariamente esquecido. A união de vários córregos e vertentes tornou-se num único e caudaloso rio. Juntos, somos mais fortes, mas ainda frágeis diante das atrocidades humanas. Seus cidadãos vivem encabrestados por clãs que lhes traçam os destinos. Comem por suas mãos e rastejam mediante seus chamados. Os sonhos individuais já se foram. Não há esperanças com relação ao futuro, pois, para tal devaneio, é necessária a manutenção plena da biodiversidade. A cultura humana não concebe tamanha grandeza. Sua conduta é voltada para si e seus caprichos. Veja o nosso exemplo: despontamos nas serras e caminhamos pelos vales. Em nosso trajeto, levamos a vida em abundância a todos os seres ribeirinhos e o que lucramos?.. Maus tratos?... Abandono?...Num passado não muito remoto, nos fins de semana abrigávamos as canoadas, as competições esportivas. Hoje, vivemos como mendigos inundados pela decomposição de restos alimentares; cegos, pois não refletimos a lua nem as estrelas, ou a aurora. Semimortos, a vida aquática que caminha conosco se fez doente. Com a obstrução de nossa via de trajeto, a enchente nos expande, então mostramos a nossa ira invadindo casebres, as mansões, as marginais. Travamos uma luta inglória. A cada prejuízo que causamos, é caso de ascensão política, motivo para a busca de capitais no exterior que irá patrocinar grupos que se dizem amantes da Natureza, mas que pouco fazem pela fonte natural da vida.
Consenso.
Sobrevivemos ao caos urbano. Atravessamos a pior parte de nossa jornada. Procuramos nos refazer ao estrago que sofremos, contudo, não haverá tempo suficiente para a nossa total recuperação. Jamais voltaremos à pureza da infância, à curiosidade da puberdade, cobertos que estamos das marcas que o destino nos deixou. Restam muitos quilômetros para concluirmos a viagem, mas estamos cansados. A sociedade envelheceu, nosso vagar é lento. Resta em nós a lembrança do canto da cigarra que, no verão, se “arrebentava” de tanto cantar. Da criança que engatinhava nas vertentes ou que saltitava nas cachoeiras. Não temos mais o corpo esbelto da adolescência, nem o tipo viril que alargava as barrancas. Não há grandes florestas nativas, o verde que temos são lavouras temporárias em nossas margens. O desconhecido, que era sonho, virou uma realidade sem alarde. Não fizemos os nossos destinos e sim seguimos pelas trilhas tortuosas que ele nos traçou e com passagem só de ida.  Próximo à reta final, a construção dos açudes deixou nosso corpo deformado; estamos vivos, mas fora de forma. Perdemos as linhas esguias da juventude e a força desbravadora dos adolescentes. Não se ouve mais o som monótono da garoa se espalhando pelos cafezais e nem se vê as danças harmoniosas dos tangarás nas galhadas. A paisagem que inspirava poema lírico deu lugar às lanchas e ao esqui aquático. Resta a lembrança dos grandes amigos “afluentes”. O rio das Monções, a estrada que transportava o Bandeirante, hoje embala os casais enamorados em suas descobertas. Somos a via que sustenta as barcaças, o leito que abriga os peixes, a fonte que irriga as plantações. Prevalecem os alarmantes pescadores; o fio dental e o “top less” afastaram a garota sonhadora, charmosa e humilde. Mas nem tudo é tristeza. A caminhada elevou meu nome, o mundo conhece minha história e as gerações futuras hão de conhecer-me. Entre tantos, esbanjo notoriedade.
É o consolo daquele que nasceu, cresceu e se integrou numa sociedade, assim como você; porém, meu infinito é o mar...Sou o Tietê!

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Suburbanos.


     É madrugada, o sol ainda não despontou e uma multidão já toma as ruas. Vão os atrasados, os estudantes, os industriários, pessoas com poucos recursos; o sapato quase rasgando, roupa fora de moda... é o melhor que eles têm. No fundo, sabem que vai chegar o dia em que tudo dará certo; vai ser como um tiro certeiro... na mosca! Será como tirar a sorte grande, como um gol aos quarenta e seis minutos... na gaveta!
A maioria segue seu caminho, a eterna rotina que se estende por longos anos. Como são muitos - agrupam-se – e, juntos, sobrevivem às devassas. Agremiados, criam sua própria gíria e seu dialeto é forjado em palavrões, gestos obscenos. Baseiam-se na força e subjugam o lado sensível, temeroso de serem incompreendidos. Externam as suas emoções em trajes provocantes, usam tatuagens, estampas exóticas em manifesto ou em protesto contra uma causa que nem eles próprios sabem definir. Conhecem o submundo, os vícios, as drogas; sabem da dor e da solidão. Escravos do sistema, envolvem-se com qualquer propaganda. Falam alto, são exagerados, admiram Stallone, Van Damme; veneram os mitos que fazem tudo aquilo que eles são incapazes de fazer. Mesmo sendo obra fictícia, deixa-os extasiados porque os "caras são demais, arrebentam"!
Criativos, fazem a própria moda; "curtem" o que é soft, "transam" tudo o que é diet, gostam de samba, de funk, de pagode e de tudo o que é divertido, lascivo e provocante. Divertem-se com os deboches, gostam do "rala coxa". Destemidos, são guerrilheiros que doam seu sangue por tão pouco. Constituem a maioria nas festas, nas filas, nos hospitais. É a massa que alimenta o comércio, as indústrias; é a mão forte que mexe o concreto, que trabalha a terra e a faz produzir. São os alicerces da sociedade, aptos para o trabalho pesado onde a tecnologia se faz improdutiva. Crescem desordenados, com dentes cariados, sorrisos tímidos, envolvidos de malícia, porque os homens só se fazem sinceros quando se veem acuados; e, se a vida não lhes confiou fortunas, os “macetes" para a sobrevivência eles os têm desde a infância.
O horóscopo do dia afirma que haverá surpresas; que alguns passam pelo inferno zodiacal. Outros estão na fase dos grandes amores e há aqueles que se sentem no paraíso astral. Jornais e revistas reservam espaço em suas publicações. Trazendo presságios para todos vai despertando a situação ambígua que influencia as pessoas, as ideologias, os grandes "lances", o mundo empírico de cada um e que os leva a uma busca constante e infrutífera de sua real personalidade. Que Paraíso seria esse se há coisas grotescas acontecendo?...Também não é Inferno, pois têm momentos inesquecíveis e, por serem humildes, desconhecem suas forças e o que poderiam fazer por seus mundos. Nesse paradoxo, passam pela vida, repetindo chavões e bordões inexpressivos. Possuem, no entanto, uma certeza: logo chegará o dia em que não será necessário conquistar as coisas no "grito"; será como tirar a "sorte grande", uma grande "tacada", uma flecha certeira... na mosca!... Tão agradável como uma bola metida no ângulo, aos quarenta e tantos minutos... Indefensável!... é só esperar.

sábado, 13 de setembro de 2014

Espelho Negro.

Se por instantes fechamos os olhos e tampamos os ouvidos, é como se desligássemos do mundo. Tudo repousa. Cessa a ansiedade. Atenua-se a sofreguidão adolescente na busca desenfreada dos sonhos pessoais.Humildes, orgulhosos, pobres, ricos, anões, mutilados, enfim, todos que alimentam em si o sopro da vida, quando voltados ao seu próprio interior, não manifestam oposição nesse mundo igualitário, oculto na real essência do ser. Estando "cegos e surdos", aflora-se o tato; as percepções são calmas; não há dor. A insegurança silencia no caldeirão efervescente da mente confusa que a vida sedentária fermentou. Sentem-se as artérias e o coração a pulsar dando vida ao corpo, ferramenta imprescindível às ações do cotidiano. Momentos de relaxamento levam a esquecer a necessidade de competir, de ir além do limite, e o raciocínio torna-se lógico.
Nessa viagem, há tempo para ouvir o vento, sentir que a palmeira é silenciosa, que o oceano é pacífico. Momentaneamente tomamos as rédeas do destino e a insípida realidade faz-se um palco, onde os projetos fantásticos são realizáveis...Mas ao abrirmos os olhos, veremos que a palmeira, com a força invisível do vento agita os ramos; o oceano, antes manso, se eleva e, num clima frenético, desperta tempestades e furacões aterrorizando os seres vivos... Se destamparmos os ouvidos, ouviremos o clamor dos agonizantes na eminente derrota contra os poderes públicos; o mendigar de pessoas com seus conflitos íntimos, sem objetivo, a buscar esperanças na dualidade entre céu e inferno, pontos extremos que a cultura incentivou e que limita as ações individuais. Isso as tornam inimigas, perseguidoras, traidoras da própria raça, a ignorar valores que a guerrilha diária subjuga.  
Os olhos fechados fazem com que vasculhemos na escuridão. É como um espelho negro que não reflete imagens, mas permite que se encontrem valores pisoteados pelas conveniências do dia-a-dia. Deixa-se evidente que, os seres vivos, são livres para se aliarem a quem bem lhes convier. A Natureza não gerou inimigos, mas soldados providos de dons natos e que devem lutar para a sua realização, cujos prêmios são: a sabedoria e a experiência. As divergências são como uns quebra-cabeças em que tudo se encaixa, e o objetivo maior é que vivamos em paz, num mundo onde os dias e as noites podem ser mais felizes, como no Natal.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Profissão dentista.

Entre os profissionais liberais, os dentistas são os únicos que conhecem todos os "podres" de seus clientes.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Piracema em três atos.

1.° Ato
Piracema é um ato natural praticado pelos peixes buscando nas cabeceiras um local apropriado para a sua desova. O instinto natural os leva a um exercício extremo no alcance das águas mansas onde os alevinos têm maior probabilidade de sobrevivência. Aqueles que conseguem seus objetivos depositam suas ovas para serem fecundadas e retomam o caminho de volta. Na tentava de superar os inúmeros obstáculos muitos morrem ou são impedidos de completar sua viagem; outros tantos são capturados por predadores que se alimentam de suas carcaças. O mesmo ocorre com as larvas frente a seus inimigos. Estima- se que muito pouco do que foram fecundados sobrevivam; segundo estudos feitos por renomados estudiosos, cerca de 1% dos alevinos atingem a vida adulta. É um fenômeno que ocorre entre novembro a fevereiro de cada ano.
2.° Ato 
Há um movimento social que, grosseiramente, assemelha-se a piracema. É a marcha dos candidatos a cargos eletivos que disputam as eleições no Brasil democrático. Vigora, a cada biênio,  de agosto a outubro podendo se estender até novembro, quando há segundo turno. É o tempo em que as mais distintas e estranhas figuras saem de suas casas (ou toca) e avançam em todas as direções. Como nos cardumes, eles também gastam suas reservas na divulgação de seus ideais povoando as ruas, invadindo as favelas, atingindo os pontos mais longínquos. Estampam nas calçadas, nas praças os seus banners, as suas placas.Vivem cercados por espertos e bajuladores que consomem suas finanças. Depositam seus panfletos (ovas) nas caixas de correios e, na falta desta, sem o menor pudor, espalham seus santinhos pelo hall ou pela calçada esperançosos de que sejam aceitos por toda a família. Feitos as "desovas", tantos os empregados como os responsáveis voltam para sua casas. Como no primeiro caso, a maioria se perde em campo e menos de 1% saem vencedores de tão árdua conquista.
3.° Ato
 Em Salesópolis, após a alteração do trajeto da linha de ônibus que serve à cidade, os moradores se vêm obrigados a fazer algo parecido; o que levou um incisivo vereador a classificar tal ato como piracema. Tendo pela frente uma longa jornada até Mogi das Cruzes e adjacências, eles caminham em direção à Nascente, na tentativa de conseguirem bancos disponíveis para fazerem o traslado sentados. Lá vão os estudantes, profissionais liberais, professores misturados com os veranistas dos fins de semana.  Isso ocorre todos os dias nos horários de pico. Jovens, adultos seguem a dura rotina para a manutenção de seus sonhos, de sua saúde, de suas vidas.
Epílogo.
Façamos agora um último adendo a cada caso. O primeiro deles é algo natural, instintivo e que mantém a espécie sobrevivendo os mais fortes na cadeia alimentar. Dura entre dois e três meses no ano, mas é infinita.
O segundo caso é parecido. Enquanto o direito do sufrágio universal existir, sempre haverá alguém usando de habilidade, de astúcia para convencer os desinformados, os humildes e ingênuos a lhes conceder o direito de viver o seu sonho.

Por fim, o terceiro caso é o mais infeliz de todos. Nele está em jogo não a glória, a riqueza, mas o mísero conforto de uma viagem que antecede um dia de trabalho, de estudo e, às vezes, os dois ao mesmo tempo. É uma batalha onde não uma vitória definitiva, mas pequenas conquistas que precisam ser vencidas todos os dias e sem a perspectiva de melhoria. Então fica a pergunta: Essa piracema salesopolense também é eterna? 

Imagem. google.