Os seres humanos são providos de imensa curiosidade em explorar o
contexto do universo em que vivem; se há sinal de rotina, iniciativas visam a
suprir a necessidade individual de aventura.
Nos tempos do Romantismo, na sua
busca constante de inovação, voltou-se à Natureza experimentando as mais
extravagantes comparações, mistificando o sentimento amoroso com o objetivo de
compensar ou de “aquecer” as relações afetivas que os trâmites normais dos
costumes não permitiam.
| foto: divulgação. |
As fases pós-guerras acentuaram o prazer pela liberdade
e, novamente, ela se voltou contra as normas existentes.
Paralelo a essa
procura, foram lançados adereços que valorizavam a sensualidade. Com o
surgimento da classe “teen” (anos 5O) e o lançamento do anticoncepcional
feminino, motivados por filmes de propostas juvenis e os embalos do rock and
roll, parte dos segredos são abolidos e o passado tende a ser esquecido.
Anos
6O e 7O: os “hippies” retomam o ambiente romântico com outra visão. Tempo das
“tribos”, da paz e do amor, dos grandes concertos, acampamentos coletivos. Os
jovens iam superando os tabus, proliferavam os motéis, e o amor era visto sem máscaras. Os meios populares de comunicação se encarregavam de abordar a realidade oculta
pela moral que se rendia, indefesa, perante os fatos.
Anos 8O e 9O: as
conquistas pessoais atingiram o seu a apogeu. Caiu a censura e os seguimentos socioculturais,
em vez de se oporem, adaptaram-se à nova realidade. O que era vulgar virou
popular, o que seria liberdade chegou à promiscuidade: os corpos mal suportavam
tanta inovação. E as alegorias? Estavam em moda e o inconsciente coletivo,
alienado pelas fantasias, a falta de informação e experiência, consumia.
Manipulados pelos estímulos externos que os acompanham desde a infância, muitos
se apaixonaram, se casaram, mas quando descobriram que amor não era sexo e que
sexo não era amor viram seus sonhos transformados em fraldas e incertezas.
Não
havia entendimento, os momentos de prazer eram insatisfatórios. Então,
descobriram que a cama não era palco, que a fronha não era cortina e o que
nelas viveram foi uma farsa e, até hoje, se encontram num drama irreal.
Amor e
sexo são forças poderosas que se completam, porém não se fundem. Têm existência
própria e não podem ser mascarados: ou sente-os ou não os sente. Juntos se
fortalecem, todavia, podem ser praticados individualmente, ou seja: pratica se
o sexo sem amor, ou vive-se o amor sem o sexo.
Amor é um sentimento abstrato,
mas assume mil facetas: pode ser compreensão, companheirismo, cumplicidade;
assume caráter paterno, materno e fraterno, infinito. É sensível às artes, às
causas sociais e humanitárias: é conquistável, compartilhado. O sexo, por sua
vez, visa ao prazer físico e, através dele, à procriação. Está presente quando
o ser é estimulado físico e mentalmente.
Toda fantasia que antecede uma relação
faz parte de um jogo que visa à sedução. Ele não exige comprometimento. Uma
relação, se baseada só no amor, torna-se insegura e monótona; se calcada só no
sexo, faz-se enciumada e premunitiva.
Oposto ao amor, a libido é algo
particular como uma senha, um código genético secreto que se manifesta com
maior ou menor intensidade entre as pessoas. O amor, em seu ponto mais alto,
mesmo sendo um sentimento abstrato, torna-se palpável através das pessoas,
coisas e tudo aquilo que os inspire.
O sexo, em seu ápice, provoca o clímax que
não é o fim, mas o ponto alto da relação. E os adereços? Estimulam o desejo,
porém, não garantem a conquista e nem o êxito; sendo frustrados, torna se um
sentimento platônico, “inconquistável”. Uma relação duradoura é aquela que, no
decorrer dos dias, faz-se uma sólida amizade, acompanhada de um forte apego
físico e incendiada pelas fantasias e liberdades.
Amor e sexo, de uma forma ou
de outra, todos praticam, cada qual à sua maneira e escolha; eles ganham, eles
perdem, mas reconhecem que o melhor da vida ganha ênfase no momento em que se
começa a jogar esse jogo, cujas regras a ciência e os tempos modernos estão
prestes a entender.
Original -Jornal A Noticia - 21/06/08.